Fórmula 1: Primeiro acidente da temporada gera polémica sobre os novos motores híbridos

Oliver Bearman em ação
Oliver Bearman em açãoREUTERS/Issei Kato

O primeiro acidente da temporada no Grande Prémio do Japão, envolvendo o jovem piloto britânico Oliver Bearman, desencadeou este domingo uma polémica em torno dos novos motores híbridos, que dividem o paddock.

Oliver Bearman, de 20 anos, entrou em pista a grande velocidade, com o seu monolugar da Haas a ultrapassar os 300 km/h no circuito de Suzuka, enquanto o Alpine do argentino Franco Colapinto circulava a uma velocidade 50 km/h inferior.

Conseguiu evitar o adversário, mas acabou por embater com o carro numa barreira de segurança. Bearman saiu do acidente apenas com uma contusão no joelho, mas o monolugar ficou bastante danificado.

Carlos Sainz, piloto espanhol da Williams e representante dos pilotos junto das entidades do desporto automóvel, protestou de imediato. "Já tínhamos alertado que este tipo de acidente iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Felizmente, havia uma escapatória, mas imaginem um acidente destes contra um muro em Baku, Singapura ou Las Vegas", afirmou, referindo-se aos circuitos citadinos que recebem um Grande Prémio, como também acontece no Mónaco.

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Bearman garantiu em comunicado que estava "perfeitamente bem", mas salientou que "a enorme diferença de velocidade de 50 km/h resultou em parte das novas regras" relativas aos motores 50% elétricos e 50% térmicos.

"É preciso adaptar-se, mas sinto que não tinha espaço suficiente na pista, tendo em conta a diferença de velocidade tão grande", explicou.

O motivo está no novo regulamento da Federação Internacional do Automóvel (FIA), que determinou a introdução de motores híbridos diferentes em 2026, com o objetivo de facilitar as ultrapassagens. No entanto, a medida divide opiniões devido à gestão complexa da energia elétrica da bateria e às grandes diferenças de velocidade que pode provocar.

Os carros dispõem de um modo "ultrapassagem" e de um botão "boost" para obter um acréscimo de potência elétrica e ultrapassar. Contudo, correm o risco de esgotar a bateria, perder velocidade e serem ultrapassados enquanto recarregam durante a travagem.

A FIA anunciou na quinta-feira "ajustes" na gestão da potência elétrica durante as qualificações e avisou no domingo que "qualquer outro ajuste (para a corrida) relacionado com a gestão da energia exige uma simulação técnica rigorosa e análise" de engenharia.

Segundo o site Motorsport.com, a FIA, a F1, as equipas e os pilotos deverão aproveitar o mês de abril, em que os Grandes Prémios no Golfo foram cancelados devido à guerra, para realizar reuniões sobre os motores híbridos e a segurança.