Recorde as incidências da partida

Eis um encontro especialmente aguardado, embora nem sempre por razões exclusivamente desportivas. O duelo entre os Estados Unidos e a Bélgica ganhou contornos inesperados após o levantamento da suspensão de Folarin Balogun, expulso frente à Bósnia-Herzegovina, num contexto marcado por uma alegada ingerência do presidente norte-americano. Tudo isto envolveu o encontro numa inevitável aura de desconforto.
Um belo remate de Timothy Castagne, travado por Matt Freese logo no primeiro minuto, parecia dar o tom ao encontro. A Bélgica entrou melhor e as investidas do benfiquista Dodi Lukebakio começaram desde cedo a causar problemas à defesa norte-americana. O primeiro golo surgiu aos nove minutos, depois de uma recuperação de Nicolas Raskin. O médio lançou um cruzamento-remate que Charles De Ketelaere desviou para a baliza sem oposição.
A Bélgica controlava o jogo, mas a saída precoce de Amadou Onana, devido a lesão, ameaçava colocar essa supremacia em risco. Ainda assim, os norte-americanos continuavam inseguros e Chris Richards esteve perto de cometer um erro grave sob pressão de De Ketelaere (22'). Com dificuldades em afirmar-se em jogo corrido, a seleção norte-americana procurava criar perigo através de lances de bola parada. Balogun conquistou um livre e, tal como diante da Bósnia-Herzegovina, Malik Tillman encontrou o caminho do golo, com alguma felicidade, já que o remate sofreu um desvio na barreira (31').
A resposta belga, porém, foi imediata. Apenas dois minutos depois, a equipa voltou a exibir qualidade coletiva e Leandro Trossard cruzou para a cabeça de Charles De Ketelaere, que ganhou posição à defesa e bisou no encontro. A igualdade durou apenas dois minutos.
Desta vez, os EUA tiveram maiores dificuldades em reagir. O final da primeira parte foi dominado pela Bélgica, com as oportunidades a sucederem-se junto da baliza de Freese. Apesar de os norte-americanos terem conseguido respirar um pouco nos descontos, a vantagem belga ao intervalo era inteiramente justa.

Freese confirma o descalabro
Ainda assim, os norte-americanos regressaram ao relvado com outra atitude e pareciam dispostos a discutir o resultado. Os EUA assumiram mais iniciativa, embora de forma algo confusa e sem verdadeiro controlo do encontro. A sensação de domínio revelou-se ilusória aos 57 minutos: Matt Freese demorou demasiado a aliviar, ficou sob pressão de De Ketelaere e Hans Vanaken aproveitou a hesitação para fazer o terceiro golo belga.
O golpe foi duro para os Estados Unidos. Rudi Garcia aumentou ainda mais a pressão ao lançar Jérémy Doku e Romelu Lukaku, dois dos seus habituais titulares, perante uma defesa norte-americana cada vez mais exposta. A turma norte-americana demorou a recuperar algum ímpeto e, quando o conseguiu, já parecia tarde demais. Sebastian Berhalter esteve perto de devolver esperança à equipa com uma excelente meia-volta, mas o remate saiu ligeiramente ao lado (80').
Dois minutos depois, Balogun também teve a oportunidade de reduzir, mas perdeu o duelo com Courtois. Já nos instantes finais, Romelu Lukaku fechou as contas e deu maior expressão a um triunfo inteiramente merecido.
A Bélgica venceu por 1-4 e confirmou a evolução demonstrada desde a extraordinária reviravolta frente ao Senegal. O próximo obstáculo será a Espanha, num duelo que permitirá perceber até onde pode chegar esta seleção belga. Para os Estados Unidos, o Mundial disputado em casa terminou de forma amarga: todo o ruído em torno do encontro acabou por se virar contra um adversário demasiado frágil nesta noite.
Melhor em campo Flashscore: Charles De Ketelaere (Bélgica)

