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Nadador olímpico sublinha importância de Centros de Alto Rendimento para a alta competição

Fórum Europeu da ASPC vai decorrer em Rio Maior até ao próximo dia 25
Fórum Europeu da ASPC vai decorrer em Rio Maior até ao próximo dia 25Rio Maior Sports Centre

O nadador olímpico Miguel Nascimento sublinhou esta terça-feira a importância dos Centros de Alto Rendimento (CAR) na carreira dos desportistas em resposta às limitações dos clubes para formar atletas de alta competição.

“Aqui tornei-me profissional do desporto”, afirmou hoje o nadador olímpico, que conta com 66 títulos nacionais e 122 pódios na carreira, sublinhando o impacto positivo do Centro de Alto Rendimento de Rio Maior, onde começou a treinar em setembro de 2014.

Orador num painel sobre o impacto dos Centros de Alto Rendimento na preparação e sucesso desportivo nacional, no âmbito do Encontro Nacional do Alto Rendimento, que hoje decorre em Rio Maior, o nadador lembrou ter crescido no Algarve, onde “o clube onde treinava não tinha tantas condições”, reconhecendo que foi o CAR de Natação, nesta cidade, que lhe permitiu “dar o pulo”.

“Um CAR é um ‘cluster’ de atletas que estão vocacionados para o mesmo objetivo”, disse, reconhecendo que a carreira de desportista beneficiou do facto de, residindo no CAR, ter tido acesso a “uma piscina e uma escola a dois minutos a pé”, proporcionando o “repouso” crucial para os atletas de alto rendimento.

Uma opinião partilhada com o selecionador nacional de futsal, Jorge Braz, que no mesmo painel manifestou a convicção de que os CAR nacionais, quando comparados com os de outros países, “tem coisas melhores e coisas piores”, o que considera uma vantagem para os atletas que “não podem exigir sempre serviços de alto nível”.

O Encontro Nacional de Alto Rendimento contou hoje também com a participação do diretor da academia de formação da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), André Seabra, que defendeu a necessidade de alterar os programas de formação dos atletas para uma oferta mais centradas nos problemas dos clubes e na procura de soluções interdisciplinares.

“Temos que ser capazes de resolver os problemas dos clubes”, afirmou André Seabra, defendendo que a oferta formativa no desporto “está ultrapassada” e deve ser pensada “em função da realidade dos clubes e dos atletas”.

Orador num painel sobre a capacitação e qualificação dos Centros de Alto Rendimento, o representante da FPF afirmou que a formação deve contemplar “ambientes de simulação” em que equipas interdisciplinares estudem as melhores soluções em termos formativos.

A interdisciplinaridade e o envolvimento da academia, da indústria, ou mesmo dos municípios no “apoio à inovação no desporto” foi, no mesmo painel, defendido por Tiago Barbosa, da European Aquatics e Pedro Sequeira, da Confederação de Treinadores de Portugal.

O encontro de hoje, marcou o arranque do Fórum Europeu da ASPC — Association of Sport Performance Centres (Associação de Centros de Alto Rendimento), que vai decorrer em Rio Maior, no distrito de Santarém, até ao próximo dia 25.

O Fórum realiza-se pela primeira em Portugal, reunindo em Rio Maior mais de 100 participantes, provenientes de mais de 16 países e de três continentes, em representação de cerca de 40 Centros de Alto Rendimento, organizações olímpicas e paralímpicas, federações, investigadores, treinadores, atletas e especialistas.

Em debate estarão temas como a investigação, inovação e desenvolvimento nos Centros de Alto Rendimento; Desporto Paralímpico e inclusão; Governação, gestão e certificação dos Centros de Alto Rendimento; Liderança e performance sustentável; Carreira dual e percursos dos atletas e o papel dos Comités Olímpicos Nacionais e dos Centros de Alto Rendimento na preparação para grandes eventos desportivos.

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