Numa visita ao futuro Oeiras Green Valley, Isaltino Morais (independente) explicou que, através da compra de dois lotes no Cabanas Golf, a câmara pode “contribuir para a democratização do golfe”, contrariando a ideia de que se trata de um desporto só “para ricos”, mas que também será para, “independentemente do estatuto social e socioeconómico”, quem queira aprender e praticar golfe.
O autarca, em declarações a que a Lusa teve acesso, mostrou-se surpreendido com o andamento dos trabalhos de recuperação do campo de golfe, que ocupa 22 hectares dos 43 de área dos dois lotes adquiridos pelo município, com o relvado dos greens já a crescer, contando que em “finais de abril” estará em condições de inaugurar o novo campo.
“Nessa altura vamos ter tempo, durante um ano ou dois, de ponderar se o campo será gerido diretamente pela câmara municipal, através da Oeiras Viva, por exemplo, é uma hipótese, ou se abrimos um concurso para a concessão da exploração do campo de golfe”, afirmou.
A câmara adquiriu dois lotes no Cabanas Golf, correspondentes ao campo e driving range (área de prática), por 675 mil euros, que se encontravam desativados desde julho de 2024, com o objetivo de recuperar o espaço como “primeiro campo de golfe municipal do país”, e disponível “a escolas, universidades, clubes ou para a comunidade em geral”.
O Cabanas Golf, com alvará de loteamento de 2002, acabou hipotecado ao Banco Espírito Santo e, segundo Isaltino Morais, passou para o Novo Banco, ditando a resolução da instituição que os lotes para construção de luxo ficaram no designado “banco bom”, com os ativos rentáveis, e as infraestruturas e o campo do golfe “no banco mau”, com dívidas e ativos tóxicos.
Para o autarca, esta decisão representou “uma aberração total”, na medida em que o golfe “foi condição sine qua non da emissão do alvará de loteamento para construção” e os investidores nos lotes tinham a expectativa da existência do campo de golfe.
Perante a “resolução precipitada do governo” que extinguiu o BES, o campo de golfe sem a rentabilidade pretendida viu degradarem-se a rede de rega, as estações elevatórias e os relvados, levando a autarquia a não emitir novas licenças de construção enquanto a situação não fosse resolvida.
O município adquiriu os dois lotes a um fundo no Luxemburgo, que detinha esses créditos, pois conforme notou Isaltino Morais até “do ponto de vista ambiental é uma boa aquisição”, por um valor que não podia ser mais elevado, porque “na verdade a câmara está-se a substituir às responsabilidades" do proprietário.
Uma vez que a câmara não tinha condições para assumir de imediato a reabertura do campo, decidiu fazer “um acordo provisório com a Federação Portuguesa de Golfe”, que irá gerir o equipamento “durante um ou dois anos”, enquanto a autarquia decide se lança o concurso público internacional ou fica com gestão municipal.
O investimento da câmara “em melhorias” do campo de golfe está estimado “em 700 mil euros”, avançou à Lusa fonte oficial da autarquia.
