Aos 28 anos, o snowboarder Diogo Carmona, que participou em várias séries televisivas e perdeu parte da perna esquerda num acidente com um comboio, é o protagonista da estreia lusa na competição, que decorrerá nos mesmos palcos dos Jogos Olímpicos de Inverno, disputados recentemente.
Cinquenta anos depois da primeira edição, que decorreu Ornskoldsvik, na Suécia, em 1976, e 20 após a primeira passagem por Itália, os Jogos vão contar com 79 eventos medalháveis, de seis modalidades: esqui alpino, biatlo, esqui cross-country, hóquei no gelo, snowboard e curling.
Em três locais diferentes - Milão, Cortina d’Ampezzo e Val di Fiemme – os Jogos, que terão a Arena de Verona como palco da cerimónia de abertura, vão ser os maiores de sempre, depois de a última edição, disputada em Pequim (2022) ter contado com 546 atletas, de 46 países.
O orçamento global associado à organização de Milão-Cortina2026 insere-se no projeto conjunto com os Jogos Olímpicos de Inverno, estimando-se um custo global superior a quatro mil milhões de euros, grande parte dos quais direcionados para infraestruturas, logística e sustentabilidade ambiental.
Em termos desportivos, a Áustria, com um total de 345 medalhas, os Estados Unidos, com 335, e a Noruega, com 334, figuram no topo das nações mais premiadas, mas na última edição, a jogar em casa nos Jogos Pequim-2022, a China, que não figurava no medalheiro conseguiu um número histórico de 61 subidas ao pódio.
Em Itália, onde os chineses terão de mostrar que conseguem impor-se fora de casa, espera-se forte competitividade nas provas de esqui alpino e snowboard, tradicionalmente dominadas por potências como Alemanha, Estados Unidos e Canadá, enquanto as nações nórdicas continuam a liderar no esqui de fundo e biatlo.
A participação de atletas oriundos da Rússia e da Bielorrússia promete marcar a competição extra-desportiva, pois, pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, os dois países vão poder competir com os símbolos nacionais, deixando a bandeira neutra e as restrições dos últimos quatro anos.
A Ucrânia, entretanto apoiada por outros países, insurgiu-se de imediato contra esta decisão do Comité Paralímpico Internacional (IPC), que poderá abrir um precedente para outras organizações desportivas, e vai boicotar a cerimónia de abertura.
Os Jogos Paralímpicos de Inverno são o maior evento mundial de desportos de inverno para atletas com deficiência física, visual e celebram 50 anos, marcados por um forte crescimento desportivo e ao nível técnico no campo dos equipamentos.
A primeira edição do evento, que decorre sob a égide do IPC, realizou-se em Ornskoldsvik, na Suécia, em 1976, e juntou 250 atletas, de 16 países, que competiram nas modalidades de esqui alpino e esqui de fundo, e surgiu como uma extensão do movimento paralímpico iniciado após a II guerra mundial, pelo médico alemão Ludwig Guttmann.
Entre sexta-feira e 15 de março, Itália recebe pela segunda vez, depois de Turim-2006, a competição, que regressa à Europa, depois de duas passagens pela Ásia – Pyeongchang-2018 e Pequim-2022.
Desde 1992, quando foram disputados nas cidades francesas de Tignes e Albertville, que os Paralímpicos de Inverno passaram a partilhar o palco com os Olímpicos, à semelhança do que acontece com as duas competições de Verão.
Em 2030, seis anos depois de ter sido palco dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão, França volta ao calendário das grandes competições multidesportivas mundiais, recebendo nos Alpes, os Olímpicos e Paralímpicos de Inverno.
