Perfil: Pioneira Yolanda Hopkins ataca elite mundial de surf com raça e determinação

Yolanda Hopkins em Paris-2024
Yolanda Hopkins em Paris-2024ED SLOANE / POOL / AFP

A olímpica Yolanda Hopkins, primeira portuguesa a garantir uma vaga no circuito principal da Liga Mundial de Surf (WSL), chegou onde sempre disse que pertencia, encontrando-se entre as melhores do mundo, com muito trabalho e talento à mistura.

Aos 27 anos, "Yoyo" garantiu o seu lugar no Championship Tour (CT) em outubro, no Brasil, quando ainda faltavam realizar duas provas do circuito secundário, as Challenger Series (CS), tendo realçado na altura, em declarações aos jornalistas à chegada a Portugal, que esta oportunidade "chega no momento certo" da sua carreira.

Antes de garantir a qualificação, durante a conferência de imprensa de lançamento da prova na Ericeira (que antecedeu a etapa do Brasil), Yolanda, bicampeã europeia (2023 e 2024), tinha vincado a sua convicção absoluta de que chegaria ao mais alto patamar do surf internacional.

Campeã nacional em 2019, a algarvia, filha de pai português e de mãe galesa, já tinha estado perto algumas vezes de entrar na elite mundial, mas a partir de terça-feira vai cumprir o sonho de uma vida.

Yolanda Hopkins Sequeira é reconhecida no mundo do surf pelo seu compromisso com a modalidade, sendo uma trabalhadora incansável, que treina intensamente dentro e fora de água para estar nas melhores condições para a competição. Além disso, é madrugadora, sendo sempre das primeiras atletas a chegar à praia para testar as condições do mar antes do início das competições.

A vasta experiência que acumulou até agora permite-lhe encarar com confiança a estreia no CT, tendo a própria afirmado que está preparada para fazer "estragos" no circuito mundial.

"Yoyo", que já disputou dois Jogos Olímpicos (Tóquio-2020, 5.ª classificada, e Paris-2024, 9.ª), gosta de ondas grandes e tubulares, conciliando com um surf poderoso nas manobras, características que encaixam com as 12 etapas do circuito principal da WSL.

Isso mesmo foi destacado por John Tranter, o seu treinador inglês que a acompanha a 100% há mais de sete anos, e que a própria define como um segundo pai. A longa relação entre a atleta, que fechou a qualificação como vice-campeã das CS, e o técnico britânico vai ser reforçada ao longo da nova temporada, que começa em 31 de março (01 de abril na Austrália) na mítica prova de Bells Beach.

Apesar de ter sido a primeira surfista portuguesa a chegar ao restrito lote de atletas que competem no CT (36 homens e 24 mulheres em cada etapa), Yolanda não vai ser a única a carregar a bandeira lusa, já que a compatriota Francisca Veselko também conseguiu o feito, obtendo o apuramento na penúltima etapa, disputada em fevereiro no Havai (Estados Unidos).

Ambas já se encontram em treinos intensos na terra dos cangurus para mostrarem que merecem estar entre a nata do surf mundial, e que grande salto representa esta nova aventura nas suas carreiras.

Quanto a Yolanda, que há muitos anos fez de Sines a sua base, a raça e o foco, bem como a larga tarimba competitiva, tornam-na numa temível oponente para qualquer adversária.

São trunfos ainda mais importantes num ano marcado pelo regresso à competição de duas das grandes campeãs da história da modalidade, a australiana Stephanie Gilmore e a havaiana Carissa Moore, que vão querer mostrar à nova geração, onde se destacam nomes como os de Molly Picklum (Austrália), atual campeã mundial, ou das norte-americanas Caitlin Simmers e Caroline Marks, ambas já coroadas campeãs do mundo apesar da tenra idade, que ainda estão aí para as curvas.

Certo é que Yolanda se vai estrear como integrante do CT com prova de fogo, enfrentando logo na primeira bateria da primeira ronda a experiente australiana Sally Fitzgibbons, três vezes vice-campeã mundial (2010, 2011 e 2012).

Seguramente que esse duro confronto inicial não lhe vai tirar o sono, nem a todos os que vão torcer por ela, apesar da diferença horária abissal, própria dos antípodas de Portugal.


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