Polícia francês colocado em pré-reforma por ter aceite um donativo de Mbappé

O logótipo da seleção francesa
O logótipo da seleção francesaVICTOR JOLY / VICTOR JOLY / DPPI VIA AFP

Um polícia responsável pela segurança dos Bleus foi alvo de uma sanção disciplinar por parte da Direção-Geral da Polícia Nacional (DGPN), tendo sido colocado em pré-reforma depois de receber um donativo de Kylian Mbappé, soube esta terça-feira a AFP junto de fontes próximas do processo, confirmando uma informação avançada pelo "Le Monde".

Em junho de 2023, este polícia destacado junto da FFF recebeu um donativo de 60.300 euros do atual capitão dos Bleus, proveniente do seu prémio do Mundial-2022. Este montante foi sinalizado por um bancário ao Tracfin, a célula de informação financeira de Bercy, em julho de 2024, levando à abertura de um inquérito judicial.

"O donativo recebido relativo ao Mundial-2022 era lícito, feito por cheque e não necessitava de ser declarado", garantiu à AFP o advogado do comandante, Jean-Baptiste Soufron.

Alvo de um processo administrativo da IGPN, o polícia foi chamado ao conselho disciplinar em outubro, sem que daí resultasse qualquer sanção, segundo as fontes.

No entanto, algumas semanas depois, a 20 de dezembro, a DGPN decidiu sancioná-lo com a passagem à pré-reforma, por não ter informado a sua direção sobre este donativo, adiantaram as mesmas fontes.

Antes desta decisão, este agente, figura dos Bleus há vários anos e amigo da família Mbappé, já tinha requerido a reforma há algumas semanas para sair a 31 de dezembro, segundo as fontes, que acrescentam que será contratado pela FFF a termo certo para o próximo Mundial.

"É um sério desmentido à investigação da IGPN, sabendo que as restantes acusações além do donativo foram abandonadas após as explicações dadas no conselho disciplinar – nomeadamente o trabalho dissimulado ou paralelo nos Camarões", comentou o seu advogado Jean-Baptiste Soufron, que vai contestar esta sanção no tribunal administrativo.

"Esta situação não tem fundamento jurídico, pois o donativo é legal e não está a ser contestado, e existe uma intenção vexatória, já que o comandante ia reformar-se a 31 de dezembro. Questiono-me sobre as motivações para se insistir neste funcionário policial honesto", afirmou o antigo prefeito Abdel Aïssou, que defende o agente.

O inquérito judicial que investiga o polícia pelos crimes de trabalho dissimulado e branqueamento de fraude fiscal continua em curso.

Outros quatro chefes de brigada receberam também 30.000 euros cada um no mesmo contexto, perfazendo um total de 180.300 euros em donativos atribuídos por Kylian Mbappé. O seu círculo garante que "tudo foi feito no respeito pelas regras, sem qualquer contrapartida".