Europeu de polo aquático: Carolina Magano vive “aventura” para seguir pisadas da mãe

Seleção feminina de polo aquático em estágio
Seleção feminina de polo aquático em estágioFPN

Carolina Magano Fernandes vive por estes dias uma “aventura” para chegar ao Funchal a tempo da estreia de Portugal no Europeu feminino de polo aquático, no qual competirá a partir de segunda-feira, seguindo os passos da mãe.

Magano, que representa a universidade norte-americana de Loyola Marymount, é uma das 15 convocadas pelo selecionador Ferran Pascual para representar Portugal no torneio, que arranca segunda-feira, com as lusas a defrontarem a Roménia no primeiro jogo do grupo B.

Esta participação, a quarta do país neste campeonato da Europa e a primeira desde 2016, é desde logo “um orgulho enorme, e uma responsabilidade ainda maior”, diz a jogadora, um dos principais destaques da equipa nacional.

“Sabemos que estamos num grupo muito exigente, com seleções como Hungria e Espanha, referências mundiais na modalidade. A Roménia é uma seleção contra quem já demonstrámos que conseguimos competir, vencemo-las na qualificação para o Europeu. Dá-nos confiança e ambição, mas sem dar nada por garantido. (...) (Queremos) mostrar que Portugal merece estar neste palco”, afirma.

A jovem atacante, de resto, tem vivido “uma aventura” para chegar à Madeira, mas uma que faz “com todo o gosto” – jogou pela universidade no sábado, seguiu para o Porto, e só depois para a Madeira, a que chegará hoje, na véspera da estreia.

“É exigente física e mentalmente, mas representa bem a minha vontade de estar aqui e representar Portugal, como é óbvio. Trabalhei a vida inteira para chegar a este nível e farei sempre tudo o que estiver ao meu alcance para representar Portugal”, atira.

Ao jogar nos Estados Unidos, onde se encontra a estudar Psicologia e a competir a um nível muito superior ao português, tudo exige “mais sacrifício e planeamento”, desabafa, de “viagens longas e cansativas, mudanças de fuso horário, treinos, aulas, jogos”.

Prova realiza-se na Madeira
Prova realiza-se na MadeiraFlashscore

Nascida no Porto em 2003, a antiga jogadora do Fluvial Portuense também já passou pelo Bordéus, em França, numa rara carreira internacional para uma jogadora de polo portuguesa, e estas experiências no estrangeiro fazem-na “sentir ainda mais ligada” ao país.

“Sinto que estou a representar não só o país mas também tudo aquilo de onde venho: a minha família, os clubes onde cresci, quem acreditou em mim; (este) é um momento em que tudo faz sentido e sempre terá o seu especial significado”, assume.

Este “desafio enorme”, num sistema universitário “exigente académica e desportivamente, com nível competitivo muito alto”, faz-se com “disciplina, organização, resiliência”, e além disso “obrigou a crescer rapidamente, como atleta e como pessoa”.

O polo aquático, de resto, é um amor de sempre, uma vez que a mãe, Isabel, uma das pioneiras lusas na modalidade e também ela presente numa fase final de um Europeu, a levou e à irmã para a modalidade, “se não seria para a natação”.

“Fomos experimentar, e desde esse primeiro treino ficámos, no Fluvial, onde cresci como atleta e me apaixonei verdadeiramente pela modalidade. Apaixonei-me pela intensidade, espírito da equipa, dureza do jogo e exigência mental. (...) Esse amor vem muito daí, da entrega total que o polo exige”, diz.

Talhada para desafios, como diz, o exemplo da mãe “significa imenso”, e seguir os passos de Isabel, como de outras mães de outras jogadoras desta seleção atual, 26 anos depois dessa inspiração, é “uma ligação especial”.

"É um orgulho enorme, não só a nível individual mas por tudo o que este momento representa para o polo feminino português. É só o começo de um melhor futuro. Quero chegar o mais longe possível, continuar a evoluir, a chegar ao mais alto nível, ajudar a seleção a crescer e a afirmar-se internacionalmente. Realmente quero que Portugal seja respeitado, e sonhar. Eu sonho com mais Europeus, Mundiais, e quem sabe um dia Jogos Olímpicos”, admite.

Se por vezes faltam condições, quando comparados com as grandes ‘potências’ da modalidade, o que nunca falta no plantel em que Carolina se insere “é vontade e compromisso”, desdobrando-se em elogios às colegas e equipa técnica, “extremamente trabalhadores e apaixonados”, antes de um campeonato em casa, que espera que possa abrir caminho como a mãe e outras pioneiras o fizeram por elas.

“Nós não viemos apenas participar, viemos competir, aprender, crescer e deixar marca. Queremos que quem nos veja jogar sinta orgulho, intensidade e identidade, porque Portugal tem talento, tem caráter e tem futuro no polo aquático feminino. Precisamos é de ser vistas”, remata.

Além do polo aquático, a Psicologia, com minor em Sociologia e “possivelmente em Filosofia” leva-a a seguir outro “grande interesse” que tem, “pelo comportamento humano”, e por um futuro que possa passar “pela neuropsicologia ou a análise comportamental”.