Para Cristina Nogueira, guarda-redes da histórica equipa que estreou Portugal no plano continental da modalidade, “é um orgulho” poder acompanhar a filha, também ela guardiã.
“Apesar de ter deixado o polo aquático há perto de 25 anos, quando ela nasceu, há memórias que ficam. Acaba por ser um reviver, ainda para mais jogando na mesma posição. É muito mais difícil estar nas bancadas do que lá dentro. É um sofrimento horrível”, conta.
A filha, que joga no Benfica, “tem trabalhado” para estar neste torneio, para o qual Portugal se qualificou em 2025, mesmo pelo meio “do emprego, com muita organização de dia para conseguir”.
Maria Sampaio, entretanto, diz à Lusa que nunca teve “a sorte de ver a mãe jogar”, tendo visto fotografias de uma modalidade que era diferente há 30 anos, mas devolve o orgulho de seguir as pisadas maternas.
“A modalidade evolui e espero que o polo aquático em Portugal continue a evoluir cada vez mais. Sinto um grande orgulho de, passados 30 anos, estar a defender a baliza de Portugal, tal como a minha mãe fez nesse Europeu”, atira.
Cristina, Helena e Isabel têm visto as filhas brilhar neste torneio, uma vez que em quatro jogos, lograram duas vitórias, ante a Roménia (12-7) e a Suíça (17-10), esta última a maior de sempre de Portugal em quatro participações em campeonatos da Europa de elite.
“Sou uma mãe e ex-jogadora babada. Eu não deixei a modalidade há 25 anos, porque depois de ter as minhas filhas, ainda dei uma perninha, até ali pouco antes da covid-19. Sofre-se muito mais na bancada, pelo menos dá tempo para roer as unhas. Na água, não dá”, brinca Isabel Magano.
Depois de passar pelas francesas do Bordéus, a filha, Carolina Magano Fernandes, joga no sistema universitário norte-americano, pela universidade de Loyola Marymount, e é uma das grandes ‘promessas’ nacionais.
“Desta vez, (acompanhar) está a ser fantástico. É aquela nostalgia, o nervosinho de ir lá para dentro. Mas também já não vale a pena, não é? Está a ter uma evolução boa, está a treinar nos Estados Unidos e com boa evolução lá”, refere.
Helena Barros é mãe de Beatriz Carmo e partilha do orgulho das colegas, sobretudo numa “organização desta envergadura a acontecer em Portugal”, com uma “qualificação indiscutível”.
“Vejo como uma grande aposta, um evento muito importante para a modalidade e para a equipa feminina, que regressa após 10 anos de ausência. A Beatriz é novata nestas andanças, joga há poucos anos, mas dentro de água não se contam jogos nem metros nem internacionalizações, é o que se faz no momento, e tem de estar à altura de representar o país e ajudar a equipa”, analisa.
A filha joga, no AESE, e trabalha em Espanha, e pelo olhar experiente da mãe, “está a evoluir bem”. “Precisa destes momentos para crescer, ela e a equipa toda”, menciona.
Sem quererem traçar comparações diretas, Cristina nota a evolução da própria modalidade a colocar as mais novas noutro patamar. “A exigência aumenta, os desportos evoluem... ganhavam-nos”, diz, bem humorada.
Helena Barros, por outro lado, nota que a participação destas pioneiras, em 1995 e depois em 1997, acontece num contexto em que o polo feminino “ainda não era modalidade olímpica”, entrando apenas em Sydney-2000.
“Desde então, o crescimento foi enorme e a aposta aumentou. O polo feminino evoluiu imenso em termos de treino, qualidade técnica e tática”, nota.
Isabel Magano, por outro lado, nota que as três, como muitas colegas, começaram a jogar o polo quando deixavam a natação, pelos 18 anos, enquanto muitas da atual seleção “começaram ali pelos 10, tendo uma formação completamente diferente”.
