Portugal sem mulheres nas presidências de órgãos de liderança no desporto, denuncia CIG

Boletim diz que há uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivo
Boletim diz que há uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivoCOP

Portugal não tem uma única mulher na presidência dos órgãos de liderança desportiva, entre federações, comités e ministérios, denuncia a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, que caracteriza o desporto como um setor “altamente masculinizado”.

De acordo com o Boletim Estatístico 2025 da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), há “uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivo”.

Portugal apresenta níveis particularmente críticos, com ausência de mulheres nos cargos de presidência e liderança executiva dos principais organismos desportivos e governamentais, contrastando com uma média europeia que, embora também desequilibrada, mostra alguns sinais de progressos”, lê-se no documento.

A CIG refere que os “maiores corpos de liderança desportiva (em Portugal) incluem Federações Desportivas, Comités Nacionais e Ministérios ou corpos políticos” e destaca que “nas Federações Desportivas Nacionais existe uma evidenciada assimetria nas estruturas dirigentes, particularmente nos cargos de presidência”.

Em Portugal, 100% dos cargos de presidência são ocupados por homens”, aponta a CIG, enquanto na média da União Europeia a 27 (UE27) “uma mulher em cada oito pessoas (12%) é presidente em Federações Desportivas, um valor bastante baixo”.

Os valores para Portugal melhoram ligeiramente nos cargos de vice-presidência ou quando analisados os membros dos executivos desses órgãos, mas a “presença feminina (é) relativamente baixa” e “ligeiramente abaixo da média da UE”.

Concretamente em relação aos cargos de vice-presidente das federações desportivas, entre os 39 existentes, apenas oito são mulheres, o que representa 21%. Já entre os membros do executivo, a disparidade está entre 22 mulheres (23%) contra 72 homens.

Salienta, no entanto, que há paridade plena no cargo de responsável do executivo (50%), um “valor acima da média da UE27 (27%)”.

Na análise feita aos Comités Olímpicos Nacionais (CON), a CIG constatou igualmente “uma persistente desigualdade de género”, tanto no cargo de presidente como entre os responsáveis de executivo, em que “a situação portuguesa destaca-se negativamente pela ausência total de mulheres nestes dois cargos”.

Mesmo em cargos de vice-presidência e membros do executivo, onde Portugal apresenta alguma presença feminina (25% e 30,8%, respetivamente), as mulheres encontram-se ainda sub-representadas”, diz a CIG.

Segundo a Comissão para a Igualdade, a disparidade de género continua nos ministérios nacionais responsáveis pelo desporto em Portugal, onde “é significativa”.

Enquanto a média da UE27 apresenta uma distribuição relativamente equilibrada entre homens e mulheres nos cargos de administrador sénior (48,9% e 51,1%, respetivamente), Portugal não regista qualquer pessoa neste nível de responsabilidade”, refere a CIG.

Por outro lado, nos cargos de membros de Governo ou do executivo político na área do desporto, “Portugal destaca-se negativamente com 100% de homens no cargo e nenhuma mulher a exercer estas funções (0%)”, ainda que a realidade da média da UE27 também seja de “predominância masculina (68,8%)”.

Para a CIG, é evidente que se tem vindo a assistir a um aumento do emprego no setor desportivo, mas este “continua a ser um setor altamente masculinizado”, no qual existe “uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no setor desportivo”.


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