Recorde as incidências do encontro

O quarto jogo da era Jorge Jesus, o segundo desde a saída de Cristiano Ronaldo, trouxe mais uma oportunidade para perceber a evolução da seleção nacional. O treinador português promoveu três alterações no onze, com as entradas de João Palhinha, Francisco Conceição e João Félix para os lugares de Rúben Neves, Pedro Neto e Rafael Leão, mas manteve a mesma linha defensiva pelo quarto encontro consecutivo. No Dragão, Portugal mostrou qualidade, personalidade e um futebol ofensivo entusiasmante, mas também precisou de sofrer para vencer a Noruega.
Bruno pegou na batuta e Portugal deu música
A equipa das quinas entrou confiante, mais solta ofensivamente e com uma grande capacidade para combinar, tanto pelos corredores como pelo centro do terreno. Bruno Fernandes assumiu o papel de maestro, quase como uma extensão de Jorge Jesus dentro das quatro linhas, e foi pautando os movimentos da orquestra portuguesa. Aos nove minutos, João Félix deixou uma amostra da sua classe, mas Ostigård apareceu no momento decisivo para impedir que a jogada tivesse um desfecho mais feliz.
O domínio português não impediu que a Noruega começasse a crescer. Aos 26 minutos, António Nusa deambulou pelo corredor esquerdo e obrigou Diogo Costa a uma boa intervenção. Dois minutos depois, Patrick Berg também testou o guarda-redes português, que respondeu com segurança. A equipa de Stale Solbakken mostrava que, apesar de passar menos tempo com bola, tinha argumentos para criar dificuldades.

Portugal respondeu com alguns dos melhores momentos da primeira parte. Aos 32 minutos, Bruno Fernandes obrigou Selvik a uma defesa difícil e, praticamente na jogada seguinte, Gonçalo Ramos disparou forte para nova intervenção do guardião norueguês. Um minuto depois, surgiu uma combinação deliciosa entre Nuno Mendes e João Palhinha, com o médio a servir de calcanhar o lateral português, que apareceu em zona de finalização. Era o talento individual ao serviço de um coletivo cada vez mais entrosado.
Dois golaços e uma resposta à altura
O futebol tem destas coisas. Quando Portugal parecia mais próximo de inaugurar o marcador, foi a Noruega a marcar, aos 36 minutos. Na sequência de uma bola parada, o esférico sobrou para Kristoffer Ajer, que encheu o peito do pé e disparou para um golaço. Um golpe inesperado e contrário àquilo que a partida vinha a mostrar.
Mas a seleção nacional não acusou o golo sofrido. Apenas dois minutos depois, respondeu na mesma moeda, com outro momento de inspiração. Nuno Mendes surpreendeu a defesa norueguesa com um lançamento lateral longo, a bola chegou aos pés de João Cancelo e o lateral rematou para um golaço. Duas finalizações de grande nível, separadas por apenas dois minutos, que devolveram a igualdade a um encontro de excelente ritmo.
Ao intervalo, Portugal deixava uma imagem muito positiva. A equipa de Jorge Jesus tinha conseguido alternar a construção pelos corredores com combinações interiores, apresentando mobilidade, critério e uma boa ligação entre setores. Faltava apenas transformar essa superioridade em vantagem no marcador.
Uma jogada de levantar o estádio
A segunda parte começou com Portugal novamente à procura do golo. Aos 54 minutos, João Cancelo voltou a experimentar o remate de longe, mas desta vez encontrou Selvik no caminho. A Noruega respondeu aos 61', quando Patrick Berg descobriu Haaland numa diagonal curta, com o avançado do Manchester City a rematar muito perto da baliza portuguesa. Um aviso de que os nórdicos não precisavam de muitas oportunidades para causar estragos.

Com o passar dos minutos, Jorge Jesus procurou novas soluções e Portugal continuou a insistir. Aos 73 minutos, Bruno Fernandes bateu uma bola parada, Ajer desviou e o esférico sobrou para Rúben Neves, que, praticamente sem preparação, ficou muito perto de marcar.
A recompensa chegou aos 79 minutos e de que maneira. Vitinha descobriu João Félix com um passe magistral, o avançado respondeu com uma assistência de enorme classe e Gonçalo Ramos apareceu no sítio certo para encostar. Uma verdadeira ode ao futebol, construída com visão, técnica e inteligência. Três protagonistas, três intervenções de grande qualidade e um golo que premiava a ambição portuguesa.
Da inspiração aos nervos
O que parecia encaminhado transformou-se, contudo, num final de enorme tensão. Aos 86 minutos, Francisco Conceição protagonizou um episódio insólito. Depois de reclamar uma grande penalidade, o extremo recebeu dois cartões amarelos consecutivos e acabou expulso precisamente quando se preparava para ser substituído.
Reduzida a dez jogadores, a equipa de Jorge Jesus teve de trocar o futebol rendilhado pela resistência. A Noruega procurou aproveitar a superioridade numérica, Portugal cerrou fileiras e os minutos finais foram vividos com os nervos à flor da pele.
No fim, a seleção nacional segurou a vitória que vale o passaporte para os quartos da Liga das Nações. A orquestra portuguesa continua a afinar, mas já mostrou que sabe dar música.
Melhor em campo Flashscore: João Félix (Portugal)

