Diana Gomes explica que os últimos 12 meses foram de “muita aprendizagem” pela necessidade de “pegar numa máquina tão grande como o comité” e, ao mesmo tempo, melhorar processos.
Entre os desafios iniciais, destaca a obrigação de corrigir o orçamento encontrado à chegada.
“Encontrámos algumas verbas que não tinham dotação para o ano que passou. Tivemos que fazer essa correção e esses foram eventualmente os maiores entraves”, recorda.
Ainda assim, garante que o COP entrou rapidamente numa fase de estabilidade e sempre com um objetivo central: reforçar a proximidade com as federações e colocar os atletas no centro das decisões.
“Estamos a colocar o atleta no centro de todas as decisões, no centro de todas as conversas, no centro de todas as negociações. A nossa proximidade com as federações tem sido cada vez maior, porque o nosso objetivo é melhorar as condições do atleta”, salienta.
A própria nomeação de Diana Gomes representou um marco histórico para o COP, não apenas por ser a primeira mulher no cargo de secretária-geral, mas também a primeira atleta a assumir essa posição.
“Esta questão de ser a primeira mulher … Eu aglomero também a questão de ser a primeira atleta – homem ou mulher – a chegar a um cargo deste porte. Creio que para os atletas esse sinal foi muito bom”, afirma.
Para a antiga nadadora olímpica, o simbolismo foi ainda maior porque, no momento do convite, estava grávida – algo que, sublinha, nunca foi visto como um obstáculo.
A sua experiência enquanto atleta, qualificada pela primeira vez para os Jogos Olímpicos de Atenas 2004 aos 14 anos, molda hoje a forma como lidera.
“Ter sido atleta tão jovem. Ter conseguido sentir na pele todas as dificuldades que foi compaginar o desporto com a parte dos estudos (…). Acho que acabo por personalizar – ter muito em mim – todas as dificuldades que muitos atletas vão sentindo ao longo da carreira. Claramente, isso é algo aplicável e eu tenho sempre muito presente e muito cuidado no desenvolvimento de todo o nosso trabalho no COP”, observa.
A promessa de colocar os atletas no centro não ficou apenas no discurso e Diana Gomes destaca medidas concretas, como o reforço da equipa multidisciplinar de apoio às federações.
“Os atletas e as federações vão poder ter um suporte maior através do COP – é 100%, 200%, direcionado para a melhoria da qualidade e da performance do atleta”, vinca, sublinhando o contacto direto e constante do presidente do organismo, Fernando Gomes, com os atletas do Projeto Olímpico.
O primeiro ano também foi marcado pela transição após o período interino de Artur Lopes, que assumiu a presidência após a morte de José Manuel Constantino.
Diana Gomes reconhece que foi uma fase delicada, mas acredita que o essencial se manteve intacto: “O legado vão ser sempre os atletas (…). O Comité Olímpico existe para os atletas. (…) Nós queremos performance, nós queremos as medalhas, queremos ouvir o hino, nós queremos os sorrisos. (…) Seja que presidente for que tenhamos, o legado que fica são os nossos atletas e os nomes deles”.
Apesar das diferenças geracionais, a relação com Fernando Gomes tem sido um dos pilares da atual liderança.
“Eu com 36 anos e o presidente fez agora 74… Temos uma fantástica sorte em ter um dos maiores líderes desportivos de todos os tempos à frente do COP”, realça.
Para o futuro, o COP quer aprofundar a relação direta e discreta com as federações, reforçar a presença internacional e garantir que mais portugueses ocupem cargos em organismos olímpicos e federativos.
A ambição passa também por atrair novos parceiros privados: “Queremos trazer patrocinadores que nunca antes cá estiveram… a nossa ambição é grande".
