Aramburu morreu devido aos disparos efetuados pelo principal acusado, Loïk Le Priol, um ex-militar e ativista de extrema-direita, mas o seu amigo Bouvier foi o primeiro a abrir fogo após uma discussão na esplanada de um bar.
Bouvier, de 35 anos, esvaziou o carregador de quatro balas e atingiu a vítima por duas vezes. Acusado de tentativa de homicídio, enfrenta agora a prisão perpétua. O veredicto será conhecido na sexta-feira.
"Nunca quis matar Aramburu", reiterou este entusiasta de armas, próximo dos círculos de extrema-direita de Paris.
Quando Aramburu e o seu amigo Shaun Hegarty saíram do bar em direção ao hotel, na madrugada de 19 de março de 2022, Le Priol seguiu-os a pé para continuar a discussão, segundo a acusação.
Bouvier entrou, por sua vez, num Jeep conduzido pela namorada de Le Priol, por recear que o seu amigo estivesse em perigo e não para continuar a briga, de acordo com o seu testemunho.
"Se entro neste veículo, não é para fazer o mal, é para fazer o bem", afirmou perante os magistrados e o júri popular do tribunal de Paris.
De seguida, saiu do Jeep e puxou do seu revólver diante de Aramburu antes de esvaziar o carregador em quatro segundos.
"Isso não revela uma intenção homicida?", perguntou-lhe o presidente do tribunal, Franck Zientara.
"De todo. É precisamente o contrário. Há uma intenção de dissuasão", respondeu Bouvier, que garantiu ter querido efetuar alguns "disparos de aviso" para o chão, porque estava "morto de medo", dominado por "um pânico total".
No entanto, as imagens de videovigilância divulgadas mostraram que Aramburu recuou logo após o primeiro disparo e continuou a fazê-lo durante os outros três, enquanto Bouvier mantinha o braço estendido.
O acusado respondeu que não se apercebeu de que a vítima recuava, invocando um "efeito túnel", tal como Le Priol na véspera, e que se atingiu Aramburu, foi "sem querer".
