Râguebi: Tribunal pede 14 anos de prisão para três ex-jogadores em novo julgamento por violação

Loïck Jammes em Bordéus em dezembro de 2024
Loïck Jammes em Bordéus em dezembro de 2024ROMAIN PERROCHEAU/AFP

Foram pedidas penas de 14 anos de prisão esta sexta-feira no julgamento em recurso de três antigos jogadores de râguebi franceses, neozelandeses e irlandeses do clube de Grenoble, novamente julgados pela violação de uma estudante após um jogo do campeonato francês em 2017.

No final de 2024, quase oito anos após os factos, o francês Loïck Jammes e o irlandês Denis Coulson tinham sido condenados a 14 anos de prisão, e o neozelandês Rory Grice a 12 anos, por "violação em grupo".

A defesa alega o consentimento da queixosa, que tinha 20 anos na altura dos factos.

Perante o tribunal de recurso de Angoulême (sudoeste), reunido à porta fechada a pedido da parte civil, o procurador-geral, representante da acusação, pediu penas idênticas para Loïck Jammes e Denis Coulson, atualmente com 31 anos, e uma pena mais pesada do que na primeira instância para Rory Grice, de 36 anos.

Na manhã de 12 de março de 2017, a jovem saiu em lágrimas de um hotel em Mérinhac, perto de Bordéus (sudoeste), onde os Grenoblois estavam hospedados após a derrota frente à Union Bordeaux-Bègles.

Na sua queixa, a estudante, que entretanto se tornou magistrada, declarou ter seguido os jogadores de râguebi para uma discoteca numa noite muito regada a álcool, sem se recordar do que aconteceu depois. Acrescentou que acordou no dia seguinte, nua numa cama com uma muleta introduzida na vagina, rodeada por dois homens nus e outros vestidos.

Durante a investigação, tal como na primeira instância, os três jogadores de râguebi garantiram que a jovem estava de acordo, baseando-se num vídeo gravado por um deles.

Para o procurador-geral, Rory Grice prolongou o sofrimento da vítima "e esteve totalmente envolvido no plano criminoso", relatou um dos advogados da queixosa, Me Grégoire Mouly.

Por seu lado, Me Denis Fayolle, advogado de Rory Grice, afirmou estar "estupefacto com tais pedidos".

A queixosa "precisa de ouvir que a sua versão corresponde à realidade e a pena é indiferente", declarou Grégoire Mouly, rejeitando qualquer "intenção punitiva" da sua parte.

Outros dois colegas de equipa que assistiram à cena sem intervir, o irlandês Chris Farrell e o neozelandês Dylan Hayes, não recorreram da condenação: quatro anos de prisão, dos quais dois com pena suspensa para o primeiro, dois anos com pena suspensa para o segundo.

O veredicto é esperado já tarde durante a noite.