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Relatório independente iliba AMA em caso de doping de 23 nadadores chineses

Caso de doping ensombrou participação da China antes de Tóquio-2020
Caso de doping ensombrou participação da China antes de Tóquio-2020AFP
O relatório de um procurador independente concluiu que a Agência Mundial Antidopagem (AMA) “não favoreceu” a China nos casos de doping de 23 nadadores antes de Tóquio-2020.

“Nada no processo, que está completo, sugere que a AMA tenha demonstrado favoritismo ou complacência, ou de alguma forma tenha beneficiado os 23 nadadores que testaram positivo para trimetazidina entre 01 e 03 de janeiro de 2021, quando examinou a decisão da Agência Chinesa Antidopagem (Chinada) de arquivar o processo iniciado contra eles", refere o relatório provisório do suíço Eric Cottier.

Em abril, a televisão alemã ARD e o New York Times revelaram este caso, com a agência norte-americana (USADA) a criticar a AMA, que se alegou a inexistência de “provas credíveis” contra os visados.

No relatório é dito que foi “razoável” a decisão de a AMA não recorrer da decisão da Chinada de não punir os desportistas em causa.

As várias partes defendiam a publicação do documento antes de Paris-2024, entre 25 de julho e 11 de agosto, uma vez que a conduta da AMA foi muito contestada pelo presidente da USADA, Travis Tygart, que a acusou de “varrer para debaixo do tapete” estes casos positivos.

“Nenhuma fonte forneceu provas credíveis de irregularidades”, assegurou o presidente da AMA, Witold Banca, refutando a tese de dopagem deliberada, antes crente de que se tratou de uma “contaminação ambiental de atletas inocentes” nas refeições num hotel, como defendeu a Chinada.

Os Estados Unidos abriram uma investigação federal sobre o tema, enquanto a Chinada prometeu “cooperar ativamente” para a produção do relatório, assegurando, no entanto, que “nunca divulgaria os detalhes da investigação aos seus 23 compatriotas", como exigiam os norte-americanos.

Entre o grupo de visados, vários conquistaram medalhas em Tóquio-2020 e 11 estão entre os apurados para Paris-2024.

De acordo com a investigação da ARD e do New York Times, 23 dos melhores nadadores chineses testaram positivo no início de 2021 trimetazidina, substância proibida desde 2014 por melhorar a circulação sanguínea e que já foi detetada no nadador chinês Sun Yang e na jovem patinadora russa Kamila Valieva.

Desses 23 nadadores reportados, 13 competiram, semanas depois, em Tóquio-2020, que decorreu no verão de 2021, sendo que três conquistaram medalhas de ouro: Zhang Yufei, nos 200 metros mariposa e nos 4x200 livres, Wang Shun, nos 200 estilos, e Yang Junxuan, nos 4x200 livres.

Na altura, o Ministério de Segurança Pública da China realizou uma investigação a estes testes positivos, sendo que em março de 2021 um relatório da Agência Antidopagem Chinesa concluiu pela existência de contaminação alimentar.

Não houve qualquer suspensão provisória dos nadadores entre os testes positivos e a apresentação deste relatório.

Notificada em junho de 2021, a AMA não conseguiu enviar os seus investigadores para a China devido a restrições sanitárias ligadas à pandemia de covid-19, mas consultou especialistas independentes e recolheu “informações científicas adicionais sobre a trimetazidina”.

Nesse sentido, concluiu que não foi “capaz de refutar a possibilidade de contaminação como fonte de trimetazidina”, pelo que se absteve tanto de recorrer da falta de sanções aos atletas como de comunicar o caso.