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“O projeto foi-me apresentado numa perspetiva de recuperação de um histórico, de implementação de um modelo de jogo com o qual os adeptos sempre se identificaram e para tentar recuperar a equipa, retirá-la destes últimos lugares e colocar o clube mais competitivo. Já sabíamos da dificuldade inicial do calendário, que nos obrigou a defrontar na teoria as oito equipas mais fortes logo nas primeiras jornadas. Houve um ou outro resultado que ficou aquém do que jogámos e poderíamos ter mais pontos nesta altura”, afirmou o técnico, de 56 anos, em entrevista à agência Lusa.
Detentor de seis títulos de campeão doméstico, o derradeiro dos quais em 2017/18, o Santos Laguna chegou à pausa internacional no 16.º lugar do torneio de abertura da Liga MX, com 10 pontos em outras tantas jornadas.

O campeonato é disputado em dois torneios curtos por época e qualifica os oito primeiros classificados para os play-offs de campeão, patamar ao qual os guerreros não acedem há três anos e que Renato Paiva quer alcançar.
“É o objetivo que tentámos definir. Nas primeiras jornadas, parecia que não era possível (atingi-lo) pelos resultados, apesar de, em duas ou três derrotas nossas, o guarda-redes adversário ter sido o melhor em campo, o que é significativo na nossa forma de jogar e no processo implementado. Estávamos a perder nos detalhes, que nos começaram a favorecer”, frisou.
Depois de um ponto em sete rondas, o Santos Laguna somou três vitórias consecutivas pela primeira vez em dois anos e meio, incluindo uma reviravolta na visita ao Toluca (3-2), do ponta de lança português Paulinho e campeão continental em título da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF).
“É um trabalho claramente de menos a mais e podemos dizer agora que essa recuperação está em caminho, não só em termos de resultados e números, mas também na forma de jogar, na mentalidade e, em especial, na reconexão com os adeptos. Conseguimos ter o estádio cheio no último jogo e eles voltaram a emocionar-se com a equipa”, admitiu Renato Paiva, que orientou León (2022) e Toluca (2024), no qual coincidiu com Paulinho.

Em Torreón desde maio e vinculado até 2028, o técnico lembra os “tempos recentes de dificuldades” do Santos Laguna, que, entre 2024/25 e 2025/26, terminou um torneio Apertura e duas Clausuras como lanterna-vermelha, mas manteve-se na elite, porque a Liga MX não contempla despromoções.
“Há estádios com muita gente e uma paixão pelo jogo com emoção, mas que não extravasa a razão, ao contrário de outros países, onde a violência muitas vezes faz dos profissionais do futebol praticamente alvos de tudo e mais alguma coisa. Sentimos pressão e as pessoas não deixam de cobrar, mas dentro dos limites cívicos e isso tranquiliza muito quem vem para cá trabalhar”, referiu Renato Paiva, com experiências no Brasil e no Equador.
Além da cultura futebolística, o fator salarial e a predominância de embates abertos também atraem atletas e treinadores estrangeiros ao México, coanfitrião do Mundial-2026 no verão, a par de Estados Unidos e Canadá.
“Sinceramente, acho que foram jogos a mais para os Estados Unidos e a menos para o México. O Mundial trouxe mais paixão e vontade de ver as grandes estrelas, em especial as europeias, que não passam tanto por cá. É sempre um momento de marketing, importante na economia e no crescimento da modalidade. Não duvido de que foi mais uma vitamina para que o país continue a ser o que é a nível de paixão e cultura futebolística”, notou Renato Paiva, com carreira estabelecida nas Américas desde 2020.
