Recorde as incidências da partida
Houve um momento marcante ainda na primeira parte, em que os adeptos espanhóis, em êxtase, entaram o coro de que "a Argentina tinha medo". Talvez essa não seja exatamente a melhor definição. Mas é inegável que a Scaloneta respeitou demais a Roja. A equipa de Lionel Scaloni fez uma primeira parte excessivamente cautelosa, morosa e sem reação, a ponto de silenciar até mesmo os seus apaixonados adeptos.
Em menor número nas bancadas, os espanhóis não se intimidaram. Embalados por uma charanga incansável, dominaram o setor norte do MetLife Stadium e contagiaram a equipa em campo. O "Sí se puede" ecoava enquanto a Espanha empurrava a Argentina para o próprio meio-campo. Isolado, Lionel Messi pouco participou no jogo e esteve longe da inspiração que exibiu ao longo do torneio.

Foi um verdadeiro massacre, tanto nas bancadas como no relvado. A apatia argentina causava espanto. As dúvidas que acompanharam a equipa de Scaloni durante o Mundial — de que a seleção havia alcançado o seu limite e sobrevivia mais pela competitividade do que pelo futebol apresentado — vieram à tona justamente no momento mais importante: a final.
Ainda assim, o domínio espanhol demorava a transformar-se em golos.
A bola circulava de um lado para o outro sob os olhares atentos dos campeões mundiais de 2010 presentes nas tribunas. O velho tiki-taka parecia um relógio prestes a despertar a qualquer instante, enquanto a Argentina seguia anestesiada, incapaz de reproduzir a intensidade que a levou até à decisão.
Na tentativa de interromper o ímpeto adversário, os argentinos recorreram também às faltas. Até que, perto do fim do tempo regulamentar, Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso. O camisola 24, um dos heróis da histórica reviravolta sobre a Inglaterra na meia-final, chegou atrasado numa disputa com Cubarsí e escancarou o desgaste físico que já comprometia a equipa.

No prolongamento, o golo espanhol parecia apenas questão de tempo. Dibu Martínez ainda adiou o inevitável com grandes defesas, mas não conseguiu evitar o desfecho. Após cruzamento para a área, Nico Williams tocou de cabeça para trás, e Ferrán Torres apareceu para finalizar com precisão e selar o título. A cena imediatamente remeteu ao golo de Andrés Iniesta, também no tempo extra, que deu à Espanha o seu primeiro Mundial, em 2010.
Como diria o filósofo moderno Jorge Jesus, a mensagem para Messi e companhia parecia inevitável: "Argentina, tu finish".
Depois de uma campanha marcada por reviravoltas e atuações de superação, a Scaloneta encontrou um adversário superior. A Espanha controlou a decisão do início ao fim, transformou a sua superioridade em título e voltou a erguer a taça do mundo. No MetLife Stadium, a história fez um novo capítulo, mas com um roteiro já conhecido: a Roja reinou outra vez e celebrou um bicampeonato construído com autoridade.

