Recorde as incidências da partida
Desde que Inglaterra venceu em 1970, Austrália conquistou 13 séries consecutivas e Inglaterra não conseguiu vencer nenhuma em casa desde 1959.
Havia esperança de que o "fator Wembley" pudesse dar um impulso à equipa, com muita nostalgia nos meios de comunicação esta semana a recordar triunfos históricos em 1990, 1994 e 1995, e uma assistência recorde britânica para os Ashes, de 60.812 pessoas.
No fim, esses três triunfos revelaram-se apenas ilusões e, este sábado, os anfitriões mal tiveram um momento de esperança, depois de conseguirem equilibrar o jogo nos primeiros 20 minutos, sem pontos para nenhum dos lados.
Dois ensaios do prodígio Reece Walsh e outros dois do impressionante Angus Crichton deixaram os Kangaroos a vencer por 26-0 antes de Daryl Clarke marcar o ensaio de consolação já perto do fim, dando a Inglaterra algo a que se agarrar antes do segundo teste, na próxima semana, no estádio do Everton, clube da Premier League.
"Ficámos aquém do nosso potencial, mas podemos corrigir isso esta semana", afirmou o selecionador inglês, Shaun Wane.
"Quando surge a oportunidade de marcar, é preciso concretizar, e eles foram implacáveis. Achei que estivemos bem fisicamente, conseguimos romper a linha defensiva, mas perder a posse de bola no terceiro e quarto tackle é um problema a este nível. Estaremos melhores na próxima semana", acrescentou.
Cameron Munster, da Austrália, também disse esperar uma resposta forte dos ingleses.
"Inglaterra jogou bom râguebi, houve momentos em que conseguiram avançar, especialmente no quinto tackle", comentou.
"Provavelmente falharam alguns passes importantes. O resultado ao intervalo podia ter sido diferente. Eles vão melhorar e nós também temos de evoluir", acrescentou.
Munster referiu que adorou o ambiente, já que as duas grandes seleções da modalidade encontraram-se para uma série dos Ashes pela primeira vez desde 2003, altura em que a Grã-Bretanha liderou perto do fim em todos os três jogos, mas acabou por perder sempre por uma diferença mínima.
"Já passaram 22 anos e nunca se sabe quando surge outra oportunidade", disse.
"Muitos grandes jogadores nunca tiveram a hipótese de disputar os Ashes. Jogo profissionalmente há 12 anos e nunca defrontei Inglaterra. É incrível", explicou.
Munster elogiou ainda o homem do jogo, Walsh, que além dos dois ensaios, fez duas intervenções defensivas cruciais no início e electrizou o estádio com uma corrida de 70 metros logo no início da segunda parte.
"É um talento especial", afirmou. "Tem apenas 23 anos, por isso vai evoluir ainda mais, o que é impressionante", acrescentou.
O selecionador australiano Kevin Walters concordou.
"Participou em alguns ensaios graças à sua qualidade com a bola e à capacidade de se infiltrar entre os defesas, por isso é um grande trunfo para nós", disse sobre o estreante.
Walters explicou que o segredo da exibição australiana foi conseguir que os jogadores se entrosassem rapidamente.
"Todos têm uma grande inteligência futebolística, são jogadores muito perspicazes, por isso não achei que fosse difícil juntá-los e pô-los a jogar o râguebi que precisamos", referiu.
"Ainda há aspetos a melhorar, mas estou muito satisfeito com o desempenho de hoje", concluiu.
