“Se eu acreditava que seríamos campeões do REC26 antes do jogo? Completamente”, atirou o técnico neozelandês, em entrevista à agência Lusa, dias após a vitória na final, contra a Geórgia, que valeu o segundo título a Portugal na competição.
O técnico, que salientou o facto sde os jogadores acreditarem em si e no staff, lamentou não ter tido “muita ajuda” no processo, mas revelou-se ciente de que “a mensagem passou para os jogadores”.
“Vou usar as palavras do Manuel Cardoso Pinto na noite antes do jogo: ‘pela primeira vez na vida, acredito mesmo que vamos ganhar à Geórgia’. Foi isso que criámos, esse ambiente de confiança e de acreditar que permitiu aos jogadores expressarem-se ao seu melhor nível”, analisou o treinador.
A conquista do REC26 aconteceu após uma série de sete vitórias consecutivas da seleção portuguesa, que se seguiu a um período negro de quatro derrotas seguidas, a última das quais frente ao Ugugai (26-8), em Lisboa, que atirou Portugal para o 20.º lugar do ranking da World Rugy e, consequentemente, para o Pote 4 do sorteio do Mundial Austrália2027.
Questionado pela Lusa sobre se o encontro com os sul-americanos foi um ponto de viragem, Mannix assumiu a responsabilidade “por não ter preparado a equipa como devia” para esse encontro, mas garantiu que “nada mudou" na sua forma de trabalhar "após essa semana” e admitiu que o triunfo no REC26 não vai calar as críticas.
“Não estou aqui para levar palmadinhas nas costas, porque ninguém o vai fazer. Sei que fiz um bom trabalho, que a minha equipa técnica fez um excelente trabalho e que estamos a jogar muito bom râguebi desde o jogo com o Uruguai. Mas não controlo o ruído à volta da equipa e não tento fazê-lo”, desabafou.
Nesse sentido, admitiu que o “ruído” em volta do grupo “podia ter levado” os jogadores “a duvidarem” do processo, mas “só se não confiassem” no seu trabalho.
“Mas eles confiaram em nós e na nossa avaliação. E como viam que não escolhíamos os jogadores pela reputação, mas apenas pelo momento de forma, isso é o que as pessoas querem, honestidade. E é isso que temos no grupo”, resumiu o antigo All Black.
Por isso, garante o técnico, “nada mudará” a sua “forma de ver o que está a ser feito e o caminho que está a ser seguido”, independentemente dos resultados.
“Se tivéssemos perdido a final, o meu discurso seria o mesmo. Porque eu sabia que, mesmo que perdêssemos, não seríamos humilhados porque a equipa tem evoluído muito. Mas fizemos um jogo muito inteligente e vencemos um adversário que eu acredito que devia estar no torneio das Seis Nações. Bom para nós, conseguimos, mas é apenas uma parte do processo”, concluiu.
Sob o comando de Simon Mannix, Portugal venceu a Geórgia (19-17), no domingo, e sagrou-se campeão do Rugby Europe Championship pela segunda vez no seu historial (2004, 2026).
A seleção portuguesa não vencia a Geórgia desde 2005, um adversário que venceu 17 das 24 edições do REC e que não perdia um jogo na competição desde 2017.
Simon Mannix foi contratado pela FPR em abril de 2024 para assumir o comando da seleção portuguesa de râguebi e dos Lusitanos XV, menos de um ano após a histórica campanha de Portugal no Mundial de França-2023, onde alcançou a sua primeira vitória de sempre, contra as Fiji.
Sucedeu a uma equipa de consultores da World Rugby, liderada pelo argentino Daniel Hourcade, que assumiu o comando da seleção portuguesa após o vazio deixado pela inesperada saída de Sébastien Bertrank, cerca de um mês após suceder a Patrice Lagisquet, que tinha orientado os lobos no Mundial.
Soma 11 vitórias em 16 encontros ao comando da seleção portuguesa, as últimas sete de forma consecutiva, cinco das quais no Rugby Europe Championship 2026 que culminou com a conquista do título que escapava a Portugal desde 2004, após derrotar na final a Geórgia (19-17), que não perdia um encontro na competição desde 2017 e à qual Portugal não vencia desde 2005.
