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A perder por 12-3, ao intervalo, um ensaio de Vincent Pinto (73 minutos), transformado por Manuel Vareiro (74), que assinou, ainda, quatro penalidades (37, 49, 61, 71), colocou Portugal, pela primeira vez, na frente do marcador que não voltou a sofrer alterações até ao final.
Os lobos não venciam a Geórgia desde 05 de fevereiro de 2005, data em que, por exemplo, o número 8 luso, José Líbano Monteiro, ainda não era nascido.
Desde então, o melhor que a seleção lusa tinha conseguido frente aos lelos tinham sido quatro empates (2006, 2009, 2022, 2023), num historial amplamente negativo para os lobos, que somaram, hoje, apenas a sua quinta vitória em 28 confrontos disputados desde 1997.
Isto, apesar de terem desperdiçado, ainda, nove pontos em pontapés falhados por Domingos Cabral (09 e 22) e Manuel Vareiro (54), o que não retirou a confiança ao jogador dos franceses do Provence, formado no Direito, para transformar o ensaio de Vincent Pinto e assinar a vitória portuguesa.
Mas, a seleção lusa, orientada pelo neozelandês Simon Mannix, mereceu completamente o triunfo e, ao intervalo, já dava sinais de poder fazer história, apesar da desvantagem (12-3).
É que, apesar de uma exibição muito competente defensivamente, Portugal foi castigado com ensaios de Ilia Spanderashvili (26) e Tornike Jalagonia (40+2), imediatamente após cartões amarelos mostrados a David Wallis e Luís Lopes, respetivamente.
Além desses lances, a Geórgia só por uma vez tinha visitado a área de 22 metros portuguesa e se, por um lado, os dois toques de meta e dois cartões amarelos sacados lhe deram alguma razão na decisão de nunca alvejar os postes, por outro, uma atitude mais pragmática poderia ter sido mais penalizadora para os lobos.
Apesar de jogar os primeiros 10 minutos da segunda parte em inferioridade, Portugal encostou a Geórgia e reduziu para 12-6, por Manuel Vareiro, e estava por cima no encontro, revelando até alguma precipitação que impediu de chegar ao ensaio mais cedo, aos 64 minutos, num momento em que colocou muitas dificuldades ao adversário, a cinco metros da linha de meta.
Mas, o terceiro ensaio georgiano, de Beka Gorgadze (66), que colocou o marcador em 17-9 (Tedo Abzhandadze falhou a transformação), acabou por salientar a capacidade psicológica dos lobos, capazes de chegar à vitória apesar de ficarem fora do resultado já no último quarto do encontro.
Vareiro (71), num pontapé quase tão difícil como o que perdera antes, reduziu para 17-12 e, no minuto seguinte, foi Otari Metreveli a ver um cartão amarelo que deixou Portugal em superioridade numérica até ao final do encontro.
Foi nesse período que o ensaio de Vincent Pinto (73), assistido por Hugo Camacho, permitiu a Vareiro, com nervos de aço, assinar uma nova página dourada na história do râguebi português, após a conquista do mesmo troféu em 2004.
Portugal soma, assim, dois títulos no Rugby Europe Championship, mas continua atrás da Roménia (cinco) e da Geórgia (17), que não perdia um encontro nesta competição desde 2017.
