Depois de ter estado mais de 14 anos à frente da seleção sub-21 portuguesa, o antigo lateral-esquerdo assumiu, em entrevista à agência Lusa, que a primeira experiência no estrangeiro “está a correr muito bem”.
“Outro motivo de orgulho e que me faz apaixonar pelo que estou a fazer é ter um conjunto de rapazes com uma vontade enorme de aprender e que até hoje, eventualmente, não tiveram as oportunidades que os jogadores em Portugal têm. Mas muito gratificante até o momento. É gratificante sentir o interesse que eles demonstram e o quão bem tentam fazer as coisas”, afirmou.
Rui Jorge, de 53 anos, foi convidado para preparar a participação no Mundial de sub-20 de 2027, que o Azerbaijão vai acolher em conjunto com o Uzbequistão, considerando que “é uma equipa que não tem qualidade” para estar na prova, mas que quer evoluir para o futuro.
“Fui dizer imediatamente que se estavam à espera de um treinador que dissesse que ia para ganhar o campeonato do mundo ou para ganhar jogos, que não era a mim que deveriam escolher. Mas, se pretendessem um treinador para tentar evoluir aqueles jovens jogadores, fazer com que jogassem de uma forma coletiva e como uma equipa, poderiam contar comigo. E foi assim”, relatou.

O treinador afirma que “miúdos com qualidade existem, isso é inegável”, destacando o jovem Ali Bashirov, de 16 anos, do Qarabag, que “está perfeitamente ao nível dos melhores jogadores de 2010 de Portugal e do resto do mundo”.
“Agora, não estando sujeitos a contextos de evolução bons, é natural que não consigam desenvolver para aqueles patamares que nós consideramos excecionais, que os nossos jovens atingem. (...) Vamos ver o desenvolvimento destes jogadores. Como é que poderá ser feito e até que ponto conseguem evoluir”, referiu.
Ao longo da carreira, Rui Jorge apenas dirigiu dois encontros de uma equipa sénior, pelo Belenenses, nos dois últimos encontros da temporada 2008/09, contra a sua vontade e apenas após um telefonema de Jaime Pacheco, que deixava os azuis nessa altura, continuando apenas a treinar equipas de jovens.
“Nunca foi o meu objetivo (treinar seniores), nunca foi a minha vontade. Às vezes eu compreendo que para as pessoas seja difícil perceber que há alguém que se contenta ou fica muito satisfeito ou se preenche a treinar um nível que não é aquele que toda a gente idealiza como o nível máximo. Mas eu já não consigo explicar mais o porquê de o fazer. Já o disse muitas vezes que é uma vida que não me seduz”, assumiu.
Rui Jorge acha que se deve “repensar o que é o futebol e a posição do treinador de futebol naquilo que são as equipas principais hoje em dia”, questionando se “se pode chamar profissão a um treinador de Liga nesta altura, porque três meses depois está fora, porque não consegue um resultado ou empata um jogo”.
“Não é a vida que eu quero para mim e portanto nunca foi a minha ambição, nem pensei nisso”, referiu o treinador, que revelou que houve muitos convites, mas que apenas se tornou público um, assumido pelo presidente do Sporting, Frederico Varandas.
O ex-internacional português diz que, mesmo por isso, nunca pensou subir um degrau na Federação Portuguesa de Futebol e chegar a selecionador principal, assumindo que nunca foi “muito de trocar”.
“Estive quatro ou cinco anos no Belenenses. Estive estes anos todos na seleção. Como jogador, foi sensivelmente a mesma coisa, muitos anos nos clubes em que estive. Portanto, é a minha forma de estar. Quando gosto de estar num sítio, faço tudo por preservar esse lugar e por dar tudo aquilo que tenho, e normalmente tem sido uma coisa que é correspondida pela outra parte”, concluiu.
