À terceira foi de vez para Wilson
O adversário de Wilson na final, o experiente John Higgins, procurava tornar-se o mais velho de sempre a conquistar um grande título de snooker, aos 50 anos. Higgins disputava a sua sexta final do Masters, tendo já levantado o troféu por duas vezes. Em 1999, bateu Ken Doherty por 10-8 no Wembley Conference Centre e, em 2006, superou Ronnie O’Sullivan por 10-9.
Wilson já tinha alcançado a final do torneio do Alexandra Palace em 2018 e no ano passado.
Em 2018, perdeu por 10-7 frente a Mark Allen e, na última edição, foi derrotado por Shaun Murphy pelo mesmo resultado. Apesar destas duas derrotas, conquistou o título de campeão do Mundo em 2024, tornando o triunfo de domingo no seu segundo título da Triple Crown.
No fim, à terceira tentativa, Wilson manteve a calma e venceu por 10-6, impedindo Higgins de alcançar a sua terceira vitória no Masters.
Reis da reviravolta
O Masters deste ano sofreu um revés antes do início, com a desistência do favorito do público, Ronnie O’Sullivan, pela segunda vez consecutiva. Foi uma baixa sentida tanto pelos puristas do snooker como pelos adeptos ocasionais, mas o talento não faltou, com todos os jogos da ronda inaugural a contarem com antigos campeões do mundo.
O contingente chinês era muito apontado à vitória. Wu Yize, Xiao Guodong, Si Jiahui, Ding Junhui e o atual campeão do mundo Zhao Xintong marcaram presença no Ally Pally, com Wu a ser o que foi mais longe, ao atingir as meias-finais, onde acabou eliminado por Wilson, que recuperou de desvantagem para vencer por 6-5.
Na verdade, tanto Wilson como Higgins foram verdadeiros reis da reviravolta neste torneio. Wilson recuperou por duas vezes de desvantagem de 4-5 para vencer – nos quartos de final frente a Neil Robertson e nas meias-finais diante de Wu.
As reviravoltas de Higgins foram ainda mais impressionantes. Por duas vezes, virou de 3-5 para triunfar; primeiro contra Zhao nos quartos de final e depois na meia-final frente ao número um mundial Judd Trump.
Ally Pally não desilude
O Ally Pally, como é carinhosamente chamado, está intimamente ligado ao dardos. Luke Littler tornou-se o mais jovem campeão mundial de dardos no Palace no ano passado e revalidou o título este mês. Mas é também um local de eleição para os adeptos do snooker – não só para o público, mas também para os jogadores.
Quando Higgins e Wilson foram apresentados aos presentes antes da sessão noturna da final, ambos receberam ovação de pé, num ambiente verdadeiramente eletrizante.
Após a derrota, Higgins afirmou: “O público esteve fantástico. A entrada esta noite foi das melhores experiências que vivi enquanto jogador de snooker.”
Um elogio destes, vindo de quem disputa o seu 32.º Masters, diz muito. Fala-se muito atualmente do brilho e glamour do snooker nos Emirados Árabes Unidos, mas recintos como o Ally Pally continuam a ter um lugar especial.
Woollaston mostra porque é a melhor
Ao falar do Masters de 2026, é obrigatório destacar Tatiana Woollaston, que arbitrou uma final do Masters pela primeira vez na carreira.
Um dos maiores elogios que se pode fazer a um árbitro é que a sua atuação passe despercebida, e foi exatamente isso que aconteceu com Woollaston, considerada uma das melhores do mundo e muito respeitada por todos.
A bielorrussa dirigiu os seus primeiros jogos do Campeonato do Mundo no torneio de 2020, afetado pela Covid, e arbitrou a sua primeira final da Triple Crown no UK Championship de 2024.
Talvez tenha sido O'Sullivan a resumi-lo melhor recentemente, ao apelidar Woollaston de “melhor árbitra do mundo, de longe”.
Olhares voltam-se para o Crucible
O calendário do snooker está repleto de eventos. O Masters da Alemanha em Berlim e o Open do País de Gales em Llandudno aproximam-se, antes de todas as atenções se centrarem em Sheffield para o Campeonato do Mundo, no palco maior do snooker, o Crucible Theatre.
É verdade que o Crucible é muito mais intimista do que o Alexandra Palace; há muito menos espectadores na sala, mas estão mais próximos da ação – é isso que torna o local tão especial e explica porque esgota em minutos.
O vencedor? Difícil de prever.
Há muitos candidatos, incluindo um certo jogador de 50 anos que estará ansioso por se redimir do que aconteceu nos momentos finais no Alexandra Palace, no domingo. Zhao pode perfeitamente conquistar dois títulos seguidos, mas ninguém pode descartar Wilson ou Rocket Ronnie.
Mas se este último irá marcar presença no grande evento, que venceu pela primeira vez em 2001 ao bater Higgins na final, só o tempo o dirá.
