“Foi uma boa surpresa. Quer dizer, eu preparei, como preparo sempre, muito bem os combates. Estava à espera de um desafio muito maior. Também tem tudo a ver com timings: o primeiro ataque correu bem, a primeira oportunidade que eu tive de trabalhar no chão e estrangular, aproveitei e correu bem”, resumiu, após derrotar o egípcio Abdelrahman Abdelghany.
Bastaram 38 segundos para João Fernando conquistar o ouro, mas o primeiro judoca português a sagrar-se campeão nos Jogos do Mediterrâneo admitiu que a final podia ter sido “muito diferente”.
“Felizmente, posso dizer que até poupei algum trabalho”, disse com um sorriso à agência Lusa, minutos depois de subir ao pódio para ouvir o hino nacional.
O programa de finais da primeira jornada do judo foi interrompido a meio, porque o sistema dos juízes ficou sem energia, e João Fernando começou o seu combate quase duas horas depois do previsto, mas nem o atraso desconcentrou o português, que começou com um ‘waza-ari’, quando estavam decorridos apenas 17 segundos.
O olímpico em Paris-2024 não libertou Abdelrahman Abdelghany e, pouco depois, celebrava o título nos -81 kg no PalaWojtyla, em Martina Franca.
“Esta medalha é um sinal de que eu estou em melhor forma do que estava à espera, honestamente. Não só nesta fase específica, em que estive quase nove, 10 meses sem competir. Venho de uma lesão há relativamente pouco de tempo, uma lesão que me fez ficar parado dois meses por causa disso”, detalhou.
A falta de rodagem competitiva acabou por deixar o luso de 26 anos “um bocadinho sem norte”.
“Eu não sabia se estava preparado, se não estava. Fiz a melhor preparação que eu pude, especialmente agora neste último mês, que foi o mês em que eu pude treinar. E, por isso, acho que só posso dizer que estou muito satisfeito, surpreendido até”, reconheceu.
Para chegar à final, o estudante de Engenharia Aeroespacial e piloto de aviação comercial começou por derrotar o italiano Manuel Parlati, seguindo-se o bósnio Mustafa Hebib.
“O primeiro (combate) foi o que me cansou mais, por vários motivos. Psicologicamente, era o combate em que eu estava um bocadinho mais ansioso, precisamente por tudo aquilo que disse anteriormente. (...) O segundo combate foi uma sensação estranha, porque eu estive a perder o tempo todo”, lembrou.
Fernando ganhou “ali a quatro segundos do fim”, com um terceiro castigo aplicado a Hebib.
“Nem me apercebi de acontecer. Depois, vejo o árbitro a dar-me a vitória. Portanto, nem posso dizer que sofri muito. Não é que estivesse mentalizado, mas ali quatro segundos não havia muito a fazer”, recordou.
Na meia-final, o luso afastou o sérvio Mihajo Simin, igualmente por ippon, em pouco mais de um minuto, antes de conquistar um ouro que o enche de orgulho.
