Numa prova decidida ao sprint, Francisca Henriques foi batida pela italiana Melissa Gatti na luta pelo ouro, com as três primeiras a concluírem os 42,195 quilómetros da maratona em 1:23.15 horas.
“Esta prova foi desafiante, não só fisicamente, porque são 42 quilómetros, mas também pelo calor, e mentalmente. As condições do piso eram boas, mas na parte em que tivemos de dar mais voltas havia muitas lombas, chapas e isso acabava por massacrar os pés”, começou por revelar a jovem patinadora de 19 anos.
Francisca Henriques confessou mesmo que chegou a chorar durante a maratona, “não só pelo cansaço, mas porque tinha os pés a doer muito”, tanto que quando acabou nem conseguia andar.
A equipa portuguesa, que na véspera assistiu às meias-finais do padel que envolveram duplas nacionais, acreditava num bom resultado hoje e essa confiança foi transferida para a estrada, onde, num primeiro momento, foram as patinadoras nacionais a passarem todos os pontos intermédios entre as primeiras.
Embora fosse Jéssica Rodrigues, a primeira a conquistar um título para Portugal nos desportos de invernos – foi campeã mundial júnior de patinagem de velocidade no gelo (disciplina de mass start) -, o nome mais ‘vigiado’, acabou por ser a sua mais jovem colega a chegar à medalha.
“Éramos sempre nós que fazíamos o trabalho todo para ir apanhar francesas. Para além de desafiante, nem consigo descrever. Sabe sempre muito bem subir ao pódio, mas hoje, principalmente com todas as condições, estou muito feliz”, afirmou Henriques, admitindo que a prata “sabe muito bem apesar do ouro ter estado ali à porta”.
Já Jéssica Rodrigues acusou o desgaste de uma prova “mais complicada do que estava à espera” e perdeu o bronze para a italiana Sofia Saronni, acabando na quarta posição, a um segundo do ‘top 3’.
“Muito calor, poucas adversárias e isto juntou e deixou a prova um pouco complicada. No sprint final, infelizmente não consegui, mas fiquei muito feliz que a Francisca conseguiu fazer o segundo”, enalteceu a madeirense de 20 anos, assumindo estar orgulhosa de si, por ter alcançado este lugar menos de três meses depois de sofrer um grave acidente.
Logo depois das ‘miúdas’ terem brilhado na prova feminina, Miguel Bravo conquistou o bronze na masculina.
“Claro que sair daqui com uma medalha, sendo a primeira vez que a patinagem faz parte dos Jogos do Mediterrâneo, sem dúvida que é muito positivo e deixa-me com vontade de voltar e fazer ainda melhor”, reconheceu.
O patinador português gastou mais 1,974 segundos do que o francês Hugo Gerard, que venceu em 1:05.54 horas, superiorizando-se ao espanhol Adrian Alonso Garcia.
“Sabia que tinha de fazer uma prova muito dura, que é o meu forte, e deixar tudo lá dentro e foi isso que fiz. Acho que provei que estou dentro dos melhores. O terceiro lugar soube a pouco, mas, por vezes, o mais forte não ganha e foi isso que aconteceu”, analisou.
O bronze coroa “uma época muito boa, com vitórias internacionais, medalhas no Campeonato da Europa”, admitiu o patinador, que aponta agora ao Campeonato do Mundo de outubro.
Também na maratona masculina, Afonso Silva terminou na 11.ª posição, num dia histórico para a patinagem nacional nos Jogos do Mediterrâneo.
