Ténis: Ucraniana Oliynykova orgulhosa por ter concretizado o sonho do seu pai soldado

Oliynykova esta terça-feira
Oliynykova esta terça-feiraMARTIN KEEP/AFP

Apesar de a ucraniana Oleksandra Oliynykova ter sido eliminada esta terça-feira logo na 1.ª ronda do Open da Austrália frente à detentora do título Madison Keys, a jogadora afirmou que concretizar o sonho do seu pai soldado era mais importante do que o resultado.

Oliynykova, 92.ª no ranking WTA, causou dificuldades à norte-americana no primeiro set, em que liderou por 6-4 no tie-break antes de perder por 7-6 (6), 6-1 naquele que descreveu como o jogo mais importante da sua vida, na sua estreia no quadro principal de um torneio do Grand Slam.

A tenista de 25 anos destaca-se não só pelo seu estilo de jogo pouco convencional em campo, nomeadamente pela técnica de serviço e pelos seus diretos batidos em arco, mas também pelo visual marcante, com vários tatuagens, algumas temporárias, visíveis no rosto, como aconteceu frente à Keys.

Oliynykova usou uma t-shirt branca na conferência de imprensa após o encontro, fazendo alusão à situação difícil do seu país de origem.

"Preciso da vossa ajuda para proteger as crianças e as mulheres ucranianas. Mas não posso falar sobre isso aqui", lia-se na camisola.

O pai de Oliynykova, que serve atualmente nas forças armadas ucranianas a combater a invasão russa, costumava acompanhá-la nos torneios.

É "o meu maior apoio desde a infância, em todas as áreas", sublinhou a tenista sobre quem também é o seu agente.

"Sei que era o sonho dele ver-me neste court", afirmou Oliynykova, que trocou mensagens com o pai antes do encontro. "Vou fazer tudo para que ele se orgulhe ainda mais de mim. Concretizei o seu sonho".

O seu pai integra "uma das unidades de drones mais avançadas das forças de defesa ucranianas", como explica o site que ela própria criou para apoiar financeiramente essa brigada.

Em 2021, deu nas vistas ao monetizar simbolicamente parte do seu braço, vendida sob a forma de NFT, paga em criptomoedas.

Nascida em Kiev, representou inicialmente a Croácia, país onde os seus pais foram refugiados políticos, mas desde 2022 joga pela Ucrânia, país para onde regressou com a família apesar do perigo.

Mesmo antes de viajar para a Austrália, "houve uma explosão mesmo ao lado da minha casa e um drone atingiu a casa em frente", contou. "O meu apartamento tremeu literalmente com a explosão."