Foi uma das sensações da última época, embora não tenha recebido a atenção que merecia. Victoria Mboko, com apenas 18 anos, conquistou o WTA 1000 em Montreal – graças a um wildcard – ao eliminar nomes de peso como Coco Gauff, Elena Rybakina e Naomi Osaka na final. Em suma, todas campeãs de Grand Slam.
Se a sua vitória não teve o destaque merecido, pode ter sido devido a alguns precedentes infelizes. A WTA já viu campeãs-surpresa que nunca conseguiram confirmar o seu estatuto.
Camila Giorgi em Montreal em 2021, Elena Vesnina em Indian Wells em 2017, Maria Jose Martinez Sanchez em Roma e Aravane Rezai em Madrid em 2010: todas vencedoras de WTA 1000 que nunca chegaram ao top 10.
E não podemos esquecer a mais famosa de todas: Emma Raducanu, que nunca conseguiu dar seguimento à sua inesquecível vitória no US Open 2021.
Ascensão ainda não terminou
Talvez por isso os analistas tenham estado tão atentos após o triunfo da canadiana em casa. E quando seguiu com quatro derrotas consecutivas, a pressão diminuiu. Era natural precisar de tempo para digerir uma vitória assim, mas bastaram quatro torneios.
No quinto, ameaçou Elena Rybakina em Tóquio e, no sexto, conquistou o seu segundo título WTA em Hong Kong. Terminou o ano na 18.ª posição mundial.
Ainda assim, ninguém sabia ao certo o que esperar de Mboko no início desta época. Apesar de os courts rápidos serem a sua superfície preferida, a concorrência está mais forte do que nunca.
Mas, apesar de ter disputado apenas quatro torneios WTA em 2026, os seus resultados falam por si: finalista no WTA 500 em Adelaide, oitavos de final no Australian Open, finalista no WTA 1000 em Doha e presença nos quartos de final do WTA 1000 em Indian Wells!
E pelo caminho eliminou uma lista impressionante de adversárias: Madison Keys, Clara Tauson, Mirra Andreeva, Rybakina, Jeļena Ostapenko e, mais recentemente, Amanda Anisimova na Califórnia.
As suas quatro derrotas: frente a Andreeva, Karolina Muchova na final no Catar e duas vezes contra a número um mundial, Aryna Sabalenka.
Os seus dois duelos com a bielorrussa, com menos de dois meses de intervalo, mostram evolução imediata: em Melbourne, foi dominada desde o início, perdeu o primeiro set e, apesar de ter aproveitado os nervos de Sabalenka quando serviu para o encontro, nunca acreditou realmente que podia vencer.
Em Indian Wells, foi competitiva desde o início, salvou quatro pontos de break no primeiro set antes de perder no tiebreak.
E no segundo set, apesar de ter perdido o serviço, teve duas oportunidades para recuperar o break e manteve-se uma ameaça até ao fim. É um claro avanço em termos de nível e resiliência, sugerindo que o seu potencial está longe de ter sido atingido. Será altura de sonhar mais alto para o que vem a seguir?
Olhar para o futuro
A sua participação em Miami pode dar-lhe mais uma oportunidade para ultrapassar os seus limites. São esperadas duas vitórias frente a Anna Blinkova e, possivelmente, Anna Kalinskaya até aos oitavos de final, onde poderá defrontar pela primeira vez uma das referências do circuito: Iga Swiatek.
É um confronto potencialmente fascinante, tendo em conta o registo de 5-6 da canadiana frente a jogadoras do Top 10. Swiatek é provavelmente a última grande figura da WTA que ainda não enfrentou. Mais uma oportunidade para mostrar o seu verdadeiro talento. Mas o que vem depois é ainda mais interessante.
Com o seu jogo potente e variado, todos querem ver o que Mboko pode fazer em terra batida. No ano passado, antes do triunfo no Canadá, obrigou Coco Gauff a um terceiro set em Roma, depois ultrapassou a qualificação em Roland-Garros, vencendo duas rondas no quadro principal antes de encontrar uma Qinwen Zheng ainda em grande forma.
Entre essas duas exibições, também chegou a uma final WTA 125. Não são muitos pontos a defender.
Atualmente, a canadiana ocupa a nona posição na classificação WTA. E está “apenas” a menos de 600 pontos do sétimo lugar, atualmente partilhado por Elina Svitolina.
O top 6 está fora de alcance – por agora – mas a possibilidade de ser cabeça de série número sete em Roland-Garros é real, com todas as vantagens que isso traz para o sorteio. Ainda assim, nada está garantido. O exemplo de Andreeva prova-o.
Por esta altura, há um ano, a russa tinha acabado de conseguir um improvável duplo Dubai–Indian Wells em eventos WTA 1000. O circuito WTA estava a seus pés e já era apontada como futura número um mundial.
Um ano depois, acrescentou um título WTA 500 em Adelaide (batendo Mboko na final), mas não chegou a nenhuma meia-final em Grand Slam ou Masters 1000 e, em Indian Wells, após perder frente a Katerina Siniakova nos oitavos de final, teve uma grande quebra em frente ao público. Pode até sair do top 10 depois de Miami.
Mboko seguiu um caminho diferente da russa. Destacou-se no circuito ITF e aproveitou a oportunidade ao mais alto nível, mesmo sem ser apontada como futura estrela, ao contrário de Mirra Andreeva. Mas é precisamente isso que está a tornar-se...
