O primeiro cabeça de série e número dois mundial disse aos jornalistas em Montreal que tem dúvidas quanto à conveniência dos Masters 1000 de 12 dias, que podem ser tão longos e exigentes para os jogadores como as duas semanas de um Grand Slam.
Nesta edição do prestigiado torneio canadiano em piso rápido faltam o número um mundial, o italiano Jannik Sinner; o vencedor de 24 Grand Slams, o sérvio Novak Djokovic; e o espanhol Carlos Alcaraz, que não compete desde abril devido a uma lesão no pulso.
As ausências de várias das principais figuras causaram desconforto entre os organizadores do torneio canadiano, cujos responsáveis exigiram sanções económicas e de outro tipo para os jogadores que se retiram da prova à última hora.
"Penso que (as ausências) são consequência dos Masters de duas semanas. Acho que é simplesmente demasiado longo para alguns jogadores, demasiado perto do US Open", afirmou Zverev, vencedor no Canadá em 2017.
"Antes disputava mais torneios 500 e torneios 250, quando os Masters eram mais curtos, mas agora já não o faço precisamente pelo tempo que passo fora e pelo tempo dedicado aos torneios", acrescentou.
Rejeição às multas
Sascha, no entanto, rejeitou que aumentar as multas ou os incentivos económicos seja uma solução para evitar essas ausências. "Não é ciência aeroespacial", afirmou. "Recebemos bónus no final do ano se disputarmos os nove Masters", disse.
"Acham que ao Novak lhe faria diferença receber um bónus maior? Se tivesse de adivinhar, diria que tem mais de 400 milhões de dólares no banco. Não tenho a certeza de que lhe faça diferença mais ou menos 50.000 dólares", acrescentou o alemão.
Zverev afirmou que ele e a sua equipa também ponderaram seriamente a possibilidade de faltar ao Canadá este ano, mas o atual campeão de Roland Garros e finalista de Wimbledon no mês passado reconsiderou devido à necessidade de manter ritmo competitivo.
"Não acredito que vá jogar o meu melhor ténis aqui, mas como consequência de jogar aqui, penso que vou jogar melhor em Cincinnati e depois, com sorte, o meu melhor ténis em Nova Iorque", afirmou, já a pensar no Open dos Estados Unidos, que começa a 31 de agosto.
"Não podem obrigar-nos"
O alemão insistiu que os jogadores estariam mais dispostos a competir nestes torneios se os Masters 1000 voltassem a durar uma semana em vez de se prolongarem por quase duas.
"Se nos obrigam a estar fora de casa duas semanas e meia ou três durante os Grand Slams e acontece o mesmo com os Masters, não podem obrigar-nos a jogá-los. Desculpem, isso não faz sentido", afirmou.
Apesar do cansaço, o germânico espera manter o ímpeto que traz este verão na digressão norte-americana em piso rápido antes do último grande da temporada.
"Os dois meses que tive foram fantásticos", sublinhou. "Joguei muito ténis nesse período. Por isso fui de férias durante uma semana e depois comecei a treinar e a preparar-me o melhor possível para esta digressão", referiu.
Alexander Zverev lidera o quadro do torneio, com o canadiano Felix Auger-Aliassime como segundo cabeça de série, à frente do australiano Álex de Miñaur, do russo Daniil Medvedev e do detentor do título, o norte-americano Ben Shelton.
