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Thiago Silva entre os jogadores visados em alegado esquema de certificados falsos

Mancuso jogou no Fla em 1997
Mancuso jogou no Fla em 1997CRF

Uma investigação com quase dois anos, revelada na passada quarta-feira pelo UOL, acusa o antigo futebolista Mancuso de liderar um esquema de venda de certificados falsos de treinador a antigas estrelas do futebol brasileiro.

Entre os nomes apontados como clientes do antigo médio do Palmeiras e do Flamengo surgem Thiago Silva, Felipe Melo, Petkovic, Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Alex e Luiz Gustavo.

A alegada proposta permitia a antigos jogadores obter até quatro licenças da Associação de Treinadores do Futebol Argentino (ATFA), enviadas pelo correio num prazo de até dez dias, sem necessidade de frequentar aulas ou realizar exames, mediante o pagamento de 17.780 euros.

Segundo a investigação do UOL, Mancuso apresentava-se aos ex-futebolistas como "diretor internacional da ATFA" e garantia ter um acordo direto com a direção da entidade para facilitar a emissão dos diplomas.

O argentino justificava o procedimento com a ideia de que jogadores com carreiras profissionais consolidadas não deveriam passar anos a estudar matérias que, no seu entender, já dominavam. Ainda de acordo com a reportagem, orientava os compradores a declarar às federações que tinham concluído três anos de formação online entre 2021 e 2023.

Thiago Silva e o seu certificado falso
Thiago Silva e o seu certificado falsoReprodução/Instagram

O que disseram os jogadores?

Thiago Silva: afirmou ter pago por cursos que não foram ministrados como prometido. Tentou confirmar a autenticidade junto da ATFA, sem sucesso, e recebeu os diplomas no final de 2023, mas nunca os utilizou.

Felipe Melo: confrontou Mancuso e conseguiu o reembolso do montante pago. A sua licença esteve entre as investigadas pela polícia argentina em julho de 2025.

Petkovic: também viu a sua licença ser investigada em 2025 e revelou ter começado a desconfiar da fraude depois de insistir várias vezes na realização das aulas presenciais prometidas, que nunca chegaram a ser marcadas por Mancuso.

Licenças sem valor

A ATFA negou qualquer ligação a Mancuso, garantindo que o antigo jogador não integra a direção da instituição e que toda a documentação emitida por ele é falsa.

Confrontado pela jornalista Joana de Assis, autora da investigação, Mancuso afirmou que nunca fez parte da direção da escola, apresentando-se como "apenas um comentador de rádio", e negou ter vendido os certificados.

Apesar da promessa de que o diploma argentino permitiria um acesso internacional mais rápido do que o curso da CBF Academy, ambas as licenças estão sujeitas a exigências regulamentares semelhantes. Em vários mercados da Europa e da Ásia, a homologação obriga à comprovação de, pelo menos, três anos de experiência prática como treinador, o que tornaria um certificado falso sem utilidade para trabalhar nesses países.

Além de Palmeiras e Flamengo, Mancuso representou também Santa Cruz e Boca Juniors durante a década de 1990.

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