“É desapontante, porque tentei fazer a melhor preparação possível durante o inverno, tive vários contratempos a nível de saúde. Mesmo assim tentei, fiz a preparação o melhor que pude, cheguei cá e vimos que não estava bem e acho que é uma decisão sábia não forçar agora, porque este não é o meu maior objetivo da época, apenas o primeiro campeonato”, explicou.
Em conversa com a agência Lusa, no hotel da comitiva portuguesa em Palma de Maiorca, Tomás Pires de Lima explicou que tem uma infeção que afeta o sistema respiratório.
“Não tenho estado a conseguir ter intensidade na água e, quando o faço, durante vários dias seguidos, normalmente fico pior, fico de cama. A última vez que estive doente, fiquei 20 dias parado, então não quero repetir, quero ir agora com muita calma, certificar-me que consigo competir o resto da época”, completou.
Ainda assim, e uma vez que está em Palma, tem aproveitado para treinar tanto na água como fora dela, neste caso tentando “preencher as lacunas” resultantes do facto de ter adoecido durante o treino de inverno.
“Quando me sinto bem, quero sair, embora saiba que não consigo ter a mesma intensidade que gostaria, ter a performance que gostaria. Mas estou a aproveitar as regatas que estão a acontecer para treinar as minhas largadas, as partidas, e faço a primeira volta para também continuar treinado”, revelou.
Daqui a pouco mais de um mês, mais concretamente entre 09 e 16 de maio, Viana do Castelo recebe o Campeonato do Mundo de fórmula kite, um evento importante para o jovem de 21 anos, que prefere “estar bem para competir” aí, do que forçar no Troféu Princesa Sofia e “dar uns passos atrás”.
“Os dois principais campeonatos do ano são o Campeonato do Mundo e o Campeonato da Europa. Embora seja o Campeonato da Europa, participamos os mesmos, deixam todos os países não europeus competir também. O objetivo é o mesmo: entrar na frota de ouro, melhorar o resultado do ano passado - fui 22º no Mundial e 15.º no Europeu”, revelou à Lusa.
Atendendo à sua trajetória “ascendente”, Tomás Pires de Lima assume que vai tentar qualificar-se para os Jogos Olímpicos Los Angeles-2028, após ter falhado o apuramento para Paris-2024 apenas por seis lugares.
“A campanha anterior foi muito curta devido ao covid, foram apenas três anos. Eu fiz uma mudança de classe na altura, do laser para o fórmula kite. O fórmula kite é uma classe muito técnica, exige muito tempo para conseguir domar a besta, digamos assim. Sabia que seria complicado e não consegui qualificar-me, mas passado poucos dias estava de volta a treinar. O objetivo era 2028”, recordou.
Em Paris-2024, mais concretamente em Marselha, esteve Mafalda Pires de Lima, mas o velejador não fez a viagem para ver a irmã.
“Embora o grande objetivo seja 2028, eu pus toda a alma para tentar ir a 2024. E é claro que doeu quando não consegui qualificar. Mesmo sendo perto de casa, não tive o estômago para ir lá ver. (…) Não me senti preparado para ir ver os meus adversários diretos, de certa forma, a viver o meu sonho”, confessou.
Agora, e como tem “melhorado bastante”, acredita que estará em Los Angeles.
“Toda a gente subiu de nível, mas eu subi com toda a gente. Estamos cada vez mais perto uns dos outros. E já consigo fazer regatas na frente, o que é um ótimo sinal. Acho que vou estar na disputa”, antecipou.
Por sentir que o nível no kite “está a ficar muito mais nivelado”, Tomás Pires de Lima nem hesita a revelar as suas aspirações para os próximos Jogos: “quero-me apurar e um objetivo realista seria um diploma olímpico”.
