“Para nós, o Europeu e o Mundial eram os campeonatos mais importantes que tínhamos definido no nosso calendário. O Europeu foi bastante bom, repetimos o quarto lugar do ano passado. Claro que queríamos ter ido às medalhas, mas pronto, não é mau repetir. E o Mundial, vamos ver, mas gostávamos de nos surpreender a nós próprios”, reconhece a velejadora, em entrevista à agência Lusa.
Ambos sabem que conseguirão fazer “um bom resultado” nos Mundiais de 470, agendados entre 10 e 17 de agosto, em Enoshima, no Japão, mas Beatriz Gago acredita mesmo que a dupla lusa pode “fazer um top 5, top 3” nessa competição.
“Para nós, um bom balanço (de 2026) seria atingirmos no Mundial o nível Top elite (nível máximo de integração no programa de preparação para Los Angeles 2028). Acho que seria um bom ponto de partida para começar o próximo ano e para fechar este”, indica Rodolfo Pires.
Os velejadores tiveram uma participação “difícil” no Troféu Princesa Sofia – não se apuraram para as medal series deste sábado – e vão agora “avaliar o que aconteceu nesta prova”, na qual, em jeito de brincadeira, dizem ter sentido “estar amaldiçoados”.
“Agora, descansamos uns dias, depois começamos a refletir sobre o que aconteceu neste campeonato: tudo o que correu mal, e também as coisas que correram bem. E dentro do correr mal e das regatas que foram piores, as coisas que fizemos bem dentro da regata, e tentar mudar, para depois em Hyères, voltarmos a lutar pelos lugares a que estamos habituados a lutar, que é dentro do top 10”, acrescentou o velejador.
Sempre positivos, porque como lembra Pires se forem pessimistas não “vão a lado nenhum”, os dois retiram coisas positivas da semana em Palma de Maiorca, nomeadamente nunca terem perdido o foco, como atesta o segundo lugar na nona regata.
“Mesmo o nosso treinador disse que está super surpreendido, porque não é nada fácil uma equipa conseguir fazer isso, e nós conseguimos. E acho que temos de nos agarrar às coisas boas para continuar a trabalhar”, pontua Bea.
Os dois vão separar-se por uns dias, com Gago a celebrar o 24.º aniversário ainda em Palma, e o seu parceiro, que no futuro se vê a ser “inventor”, a regressar a casa para “desligar a 100%” da vela e agarrar-se à mecânica de carros, algo que o fascina, assim como “tudo o que seja 3D”.
“Nós lidamos bem um com o outro, mas é sempre bom cada um ter o seu espaço”, admite a jovem velejadora, que revela que só no ano passado o duo passou “mais de 270 dias fora de Portugal”.
Com o ciclo olímpico praticamente a meio, Rodolfo Pires garante ainda não estar a pensar em Los Angeles 2028.
“Sabemos qual é o nosso objetivo, mas estamos a ir regata a regata, ano a ano, e temos as coisas organizadas por tempo. Ou seja, os Jogos Olímpicos é o próximo passo”, afirma, antes de ser interrompido pela sua companheira de embarcação.
“Mas está no meu vision board. Eu tenho a fotografia no meu telemóvel. Não estou a pensar mais à frente, mas o objetivo final é este. É para isto que estamos aqui. Porque senão, não estávamos aqui. E é um processo, como é óbvio, mas pensamos o que é que podemos fazer para chegar lá”, salienta.
E, caso consigam estar na cidade norte-americana, o objetivo, segundo Pires, é claro: “Ir aos Jogos participar, só para dizer que participei ou tirei um diploma, o que é que isso me dá na vida? Se fomos lá e tirarmos medalha, isso muda a vida toda, completamente. Portanto, eu acho que temos de pôr a fasquia onde nós queremos chegar”.
Entre os dois e o sonho está outra dupla nacional, Diogo Costa e Carolina João, os quintos classificados em 470 em Paris-2024, com quem conseguem ter uma relação descontraída, exceto quando se trata do minigolfe.
“Acho que é fantástico para o país quando nós temos bons concorrentes, de alto nível, e ambos pertencermos ao top 10 mundial e continuarmos com a competitividade entre as duas equipas. Acho que vai ajudar Portugal a chegar a um nível em que, quem for aos Jogos Olímpicos, possa lutar por uma medalha”, defende Rudy.
Não ter experiência olímpica, ao contrário dos seus rivais pelo lugar em LA – cada país só pode levar um barco -, ainda “dá mais pica” para continuarem a trabalhar, admite Gago.
“Nós somos uma equipa que, não fomos aos Jogos Olímpicos ainda, mas baseamo-nos em atletas individuais ou equipas que foram aos Jogos Olímpicos pela primeira vez e à primeira tentativa fizeram medalha de ouro”, completa Pires.
