Vela: José Costa voltou para um novo desafio e agora é team leader no Troféu Princesa Sofia

José Costa, coordenador da formação da Federação Portuguesa de Vela
José Costa, coordenador da formação da Federação Portuguesa de VelaFPV

José Costa voltou a casa para coordenar a formação da Federação Portuguesa de Vela (FPV), “um desafio e peras” que lhe dá “bastante gozo” e o faz sentir-se útil e feliz por poder ajudar o país na ‘sua’ modalidade.

“Por acaso, é gratificante. Sinto-me não é realizado, mas sinto-me útil a ajudar o meu país naquilo que é a minha modalidade”, admite, em entrevista à agência Lusa.

Não passaram nem dois meses desde que José Costa assumiu as funções de coordenador desportivo da formação da FPV, sendo responsável pelo programa de juniores e seleções nacionais, um cargo que se sucede ao de treinador da equipa espanhola de 49er FX.

“Ainda tenho relações e mantenho contactos próximos com Espanha, mas a verdade é que trabalhar para o meu país dá-me mais gozo. (…) Acho que conheço bem as nuances do que é a campanha olímpica em Portugal especificamente, e das dificuldades que há”, salienta.

O tavirense de 42 anos reconhece “o esforço gigante desta nova direção naquilo que está a proporcionar aos velejadores em termos de condições”, considerando que “todas estas coisas, todas misturadas, dão uma sopa bonita do que pode ser feito”.

“Aliás, o que as pessoas mais me têm dito, inclusive alguns espanhóis, é que 'pareces mais feliz agora'. Não tem só a ver, obviamente, com o trabalho, mas a verdade é que me está a dar um gozo imenso, mesmo que às vezes esteja um bocado sobrecarregado”, acrescenta.

Depois de ter representado Portugal no Rio-2016 (16.º) e em Tóquio-2020 (sétimo), ao lado de Jorge Lima, José Costa tinha vontade de trabalhar para o seu país desde a sua última participação nos Jogos Olímpicos e, também por sentir que em Espanha tinha fechado um ciclo, quando em outubro uma das suas equipas se sagrou campeã do mundo, aceitou a proposta do presidente da FPV, António Barros.

“Conhecemo-nos há muitos anos e ele sempre me disse ‘um dia ainda te trago para cá’. A conversa começou assim na brincadeira, até que realmente depois ele ficou um bocadinho mais sério e começou a dizer ‘tenho uma proposta para ti’, conta.

A “estocada final”, como a apelida o algarvio, foi quando Barros apareceu em sua casa e “meteu as coisas em cima da mesa e disse ‘é agora que vens’.

“Para mim, também é um desafio, porque eu não estou habituado a formar. Eu estou habituado a trabalhar com pessoas já meio formadas, que só têm de ser limadas, para atingir uma série de resultados de topo”, distingue.

Nas suas novas funções tem de “fazer uma introspeção àquilo que ele próprio era há muitos anos", “dar tempo, ter paciência”, e focar-se nos “pontos certos” que vão dar as bases aos velejadores “para continuar a crescer”.

“Ao mesmo tempo, tenho o projeto de juniores, que ainda é mais para trás do que os primeiros passos nestas classes olímpicas, que também é um projeto giro, porque proporciona a miúdos mais novos de classes de formação uma série de experiências e uma série de conhecimentos”, nota.

Eventualmente nem todos vão chegar “às classes olímpicas ou ao topo da vela mundial”, mas Costa acredita que estes vão sair dali melhor velejadores.

“A vela é um desporto que exige muita inteligência, muita adaptação. Os skills deles vão aumentar bastante e, portanto, vão ser melhores pessoas, dentro e fora de água. E eu acho que isso é um projeto bonito, de verdade, de se fazer, estou a coordená-lo, comecei há pouco tempo, e esse também é um desafio e peras”, reforça.

Esta semana, no entanto, essa vertente do trabalho do tavirense está em pausa, uma vez que está em Palma de Maiorca como team leader da comitiva portuguesa no Troféu Princesa Sofia.

“A verdade é que a minha função aqui é acompanhar o 49er FX no primeiro evento delas de sempre. Mas, como sou coordenador do projeto de juniores, e como tenho uma função no departamento técnico da federação, foi-me pedido e acumulo um bocadinho a coordenação da equipa portuguesa aqui”, pontua.


Menções