Jan Vertonghen, recorde-se, chegou ao Benfica em 2020/2021, proveniente do Tottenham, tendo feito 89 jogos oficiais pelos encarnados, antes de rumar ao Anderlecht, em 2022/2023, mais precisamente a 31 de agosto.
A mudança repentina levou o central belga a ter uma primeira fase no emblema belga bastante complicada.
"Não teve nada a ver com o Anderlecht. Teve sim a ver com o facto de a minha saída do Benfica ter corrido muito mal. Compreendo perfeitamente o lado empresarial dessa decisão, mas, enquanto líder de um clube, nunca o teria abordado dessa maneira. Só no último dia do período de transferências é que recebi a mensagem de que já não ia jogar", recordou Vertonghen, na entrevista ao Het Laaste Nieuws.
“A minha mulher, que trabalhava em Portugal, e eu dávamos como certo que íamos ficar em Lisboa. E depois surgiu aquela proposta do Anderlecht. A minha mulher limitou-se a dizer: 'toma tu a decisão' e acabei por decidir em função da minha carreira. Achei isso incrivelmente difícil porque sentia que estava a afastar a mulher e os filhos de um ambiente onde eram muito felizes", lembrou o antigo internacional belga.
Na entrevista, Vertonghan mostrou a camisola que tem do Benfica, com o seu nome e o número 2023, alusivo ao contrato que tinha válido por mais uma temporada com os encarnados.
“Eu já estava a pensar: 'porque é que diz ali 2023?' Mas eu tinha assinado um contrato até 2023. O meu objetivo era cumpri-lo, tentar espremer mais um ano extra e depois, eventualmente, terminar a carreira de futebolista após o Mundial-2024. Nessa altura, podíamos decidir em família se queríamos ficar em Lisboa ou fixarmo-nos noutro sítio", explicou o defesa, que terminou a carreira em 2024/2025, ao serviço do Anderlecht, que recorda com mágoa a saída do Benfica.
“Lembro-me que tinha de voar para a Bélgica para os meus exames médicos logo na manhã seguinte a ter dado o meu sim ao Anderlecht. Foi aí que disse pura e simplesmente: 'desculpem, isso não vai dar'. Os meus filhos ainda estavam num campo de surf perto de Lisboa, não podia partir sem os ver. Fui para lá a conduzir para dar a notícia pessoalmente. Para mim, essas primeiras semanas no Anderlecht foram as mais difíceis da minha carreira como futebolista. Penso que esse sentimento só desapareceu após o Campeonato do Mundo de 2022 no Catar. Porque vi nessa altura que os meus filhos e a minha mulher, que encontrou trabalho em Antuérpia bastante depressa, também eram felizes na Bélgica", explicou.

