Ir para o conteúdo principal

Antes de Mbappé, estes desportistas caíram em desgraça na China

Özil foi um dos casos mais mediáticos
Özil foi um dos casos mais mediáticosTOM GOYVAERTS / BELGA MAG / BELGA VIA AFP

Kylian Mbappé deixou de contar na terça-feira com o apoio de grandes marcas na China, depois de ter sido divulgada na internet uma entrevista em que parece brincar com Mao Zedong, fundador do governo comunista.

No passado, outras figuras do desporto viram-se envolvidas em polémicas semelhantes no país asiático, depois de declarações consideradas inapropriadas sobre temas sensíveis como os uigures, Taiwan, o Tibete ou Hong Kong.

Eis os principais casos:

Özil e os uigures

O futebolista alemão de origem turca Mesut Özil, que representava o Arsenal, condenou em 2019 a política de segurança em Xinjiang, no noroeste da China, lançada após atentados mortíferos e que afeta várias minorias muçulmanas, entre as quais os uigures.

"Corões são queimados... mesquitas são destruídas... escolas islâmicas são proibidas... intelectuais religiosos são mortos uns atrás dos outros... Irmãos são enviados à força para campos", escreveu o jogador no Twitter e no Instagram.

Organizações de defesa dos direitos humanos e Washington acusaram então Pequim de ter internado em Xinjiang até um milhão de muçulmanos em campos de reeducação política. Pequim rejeitou as acusações e falou em "centros de formação profissional", destinados a ajudar a população a encontrar emprego e a afastá-la do extremismo religioso.

O Arsenal demarcou-se das "opiniões pessoais" do seu jogador e a China declarou que Mesut Özil estava "enganado por informações falsas". A estação pública chinesa CCTV retirou da programação a transmissão de um jogo entre o Arsenal e o Manchester City. Özil foi retirado das versões chinesas do videojogo Pro Evolution Soccer.

Taiwan, "este país"

Oito vezes seleccionado para o All-Star Game da NBA, o jogador norte-americano Dwight Howard referiu-se a Taiwan como um "país" num vídeo, em 2023. O basquetebolista representava então os Taoyuan Leopards, de Taiwan, depois de ter deixado os Los Angeles Lakers.

"Desde que cheguei a Taiwan, descobri este país sob uma perspetiva completamente diferente. Sinto-me rodeado de muito amor", declarou Howard no vídeo.

Taiwan não é membro da ONU. A China considera Taiwan parte do seu território e opõe-se a qualquer declaração que possa dar a entender que a ilha constitui um Estado independente. O caso provocou forte indignação nas redes sociais chinesas. Segundo vários meios de comunicação social, Howard garantiu depois a jornalistas taiwaneses que não tinha querido ofender ninguém.

Um duro golpe para a NBA

Em 2019, Hong Kong, território chinês semiautónomo, foi abalado durante meses por um amplo movimento de contestação pró-democracia. O período ficou marcado por confrontos, por vezes violentos, entre manifestantes e forças da ordem.

Daryl Morey, então diretor-geral da equipa norte-americana dos Houston Rockets, na NBA, publicou no Twitter uma mensagem de apoio aos manifestantes contra Pequim. Várias empresas na China cortaram relações com a NBA, enquanto a CCTV deixou de transmitir jogos da liga norte-americana de basquetebol.

A gigante chinesa da internet Tencent deixou temporariamente de transmitir jogos dos Houston Rockets. A NBA indicou posteriormente ter perdido centenas de milhões de dólares com o caso. A liga regressou ao mercado chinês em outubro de 2025, com dois jogos de pré-época em Macau.

Kanter e os seus "irmãos tibetanos"

O basquetebolista Enes Kanter Freedom, então jogador dos Boston Celtics, classificou em 2021 o presidente chinês Xi Jinping como um "ditador brutal" nas redes sociais. "O Tibete pertence ao povo tibetano!", prosseguiu o jogador de origem turca e naturalizado norte-americano. "Estou ao lado dos meus irmãos e irmãs tibetanos e apoio os seus apelos à Liberdade".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês considerou que as suas "alegações ridículas" sobre o Tibete "nem sequer merecem ser refutadas". Conhecido pelas suas duras críticas à China, Enes Kanter Freedom apelou também aos atletas para não viajarem para os Jogos Olímpicos de Inverno organizados no ano seguinte em Pequim.

Os jogos dos Celtics foram retirados das plataformas chinesas de streaming. A antiga estrela chinesa do basquetebol Yao Ming mostrou-se disponível para o "convidar a ir ver a China" pessoalmente.

Escolha o Flashscore no GoogleVeja os nossos artigos mais vezes
AdicioneAdicionar no Google