“Ainda nem entendemos muito bem o que se passou. Não há embaixada do Peru em Angola, pelo que não pudemos pedir vistos cá. Foi-nos dito que poderíamos obtê-lo à chegada, mediante um documento oficial do nosso governo e nós fizemos isso. Tratámos de tudo, bem como das inscrições na prova e visto de trânsito no Brasil. Não vemos motivo para a nossa comitiva não ter entrado…”, explicou o presidente da FAA, Bernardo João.
Em declarações à Lusa, o dirigente contou que os 10 elementos da comitiva – dos quais cinco atletas - foram impedidos de entrar no país sul-americano, tendo ficado retidos no aeroporto de Lima durante cerca de 24 horas, prazo que se revelou insuficiente para que as federações angolana e peruana revolvessem a situação junto do Ministério das Relações Exteriores local.
“Não sei quem falhou. Nós cumprimos, fizemos a nossa parte. Toda a nossa representação estava equipada à Angola. Isto é desporto, ‘fair-play’. Deveria haver alguma sensibilidade para o tratamento destes casos. Viemos de África, tivemos despesas avultadas”, lamentou.
O presidente da FAA recordou o que a equipa angolana esteve 25 em estágio na África do Sul, acentuando os elevados preços dos voos internacionais, admitindo, numa primeira análise, que as perdas superem os 30 mil euros.
“Este desfecho foi muito triste, não só pela impossibilidade de os atletas competirem, mas pelos elevados custos inerentes a uma comitiva de 10 elementos. Bom, mas o nosso grande foco são os Jogos Olímpicos Los Angeles-2028 e vamos manter o foco. Como se costuma dizer, não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera”, concluiu.
O atleta Finda Sevani foi o primeiro a ser travado no serviço de fronteiras, criticando, além da impossibilidade de entrar no país, o comportamento das autoridades, que, segundo o velocista dos portugueses da ACR Senhora do Desterro, trataram os atletas “como vândalos”.
“A não participação dói muito, até porque esta era a primeira vez que eu ia representar Angola e estava todo empolgado, mas o tratamento em si, ser tratado como vândalos, como pessoas que apresentam perigo à sociedade, foi o que mais me chamou a atenção, algo que nunca antes tinha visto”, denunciou o velocista.
Por ter residência em Portugal, foi repatriado “poucos minutos depois”, enviado no primeiro voo para solo europeu, em França, acabando por não perceber muito bem o que aconteceu com o resto da comitiva, com escalas diferentes.
“Houve uma falha de comunicação e, por questões burocráticas, acabámos maltratados. De tudo o que aconteceu, isso foi o que mais me custou. O presidente da federação ainda foi tentando desbloquear a situação, mas, infelizmente, não foi possível”, acrescentou.
Deu como exemplo no desporto do pais o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Petro de Luanda, destacando o legado do presidente Tomás Faria e de José Aleixo na “promoção do desporto no país e deste além-fronteiras”.
“Apelo ao governo angolano e aos dirigentes que aprendam a olhar para o desporto como um elemento de integração social, algo que transforma vidas”, concluiu.
Os Campeonatos ibero-americanos são disputados de dois em dois anos por países da América Latina, Espanha, Portugal e nações africanas com português ou espanhol como língua oficial.
A 21.ª edição vai ser disputada em Lima, entre sexta-feira e domingo, com a delegação portuguesa a contar com 18 atletas.
