Atletismo: World Athletics impede mudança de nacionalidade para a Turquia de 11 atletas

Brigid Kosgei, antiga recordista mundial da maratona, foi uma das atletas que pediu mudança de nacionalidade
Brigid Kosgei, antiga recordista mundial da maratona, foi uma das atletas que pediu mudança de nacionalidadeAFP

A World Athletics anunciou esta quinta-feira ter recusado 11 pedidos de atletas para competirem como turcos, incluindo vários medalhados olímpicos e antigos recordistas mundiais, por se tratar de "uma estratégia de recrutamento coordenada".

Segundo o organismo que gere o atletismo a nível mundial, foi considerado que "os pedidos faziam parte de uma estratégia de recrutamento coordenada, liderada pelo governo da Turquia através de um clube estatal, detido e financiado na totalidade pelo governo, para atrair atletas estrangeiros através de contratos lucrativos, com o objetivo de facilitar as transferências de nacionalidade desportiva e permitir que esses atletas representassem a Turquia em futuras competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028".

No total, são cinco quenianos, quatro jamaicanos, um nigeriano e um russo os atletas em questão, sendo que entre os nomes estão a queniana Brigid Kosgei, antiga recordista mundial da maratona e vencedora de sete maratonas major, e os jamaicanos Rojé Stona, campeão olímpico do disco, e Jaydon Hibbert, medalha de bronze olímpico de Paris-2024 no peso.

Além de prémios de assinatura e pagamentos mensais, os atletas teriam acesso, na Turquia, a uma tabela de prémios monetários por medalhas internacionais especialmente alta, nomeadamente a nível olímpico, com 460 mil euros pelo ouro, 271 mil pela prata e 136 mil pelo bronze.

Dadas as características comuns entre os pedidos, o painel avaliou-os em conjunto e determinou que tal abordagem é inconsistente com os princípios fundamentais dos regulamentos. Estes princípios foram concebidos para salvaguardar a credibilidade das competições internacionais, incentivar as federações a investir no desenvolvimento do talento interno e manter a confiança entre os atletas de que as seleções nacionais não são feitas primariamente através de recrutamento exterior", acrescenta a nota divulgada pela World Athletics.

O organismo relembra que a cidadania é um ponto de partida para a elegibilidade desportiva, mas que "são aplicados critérios adicionais para garantir uma ligação genuína entre o atleta e o país que representa e para proteger a integridade, a credibilidade e o desenvolvimento do desporto a nível global".

Os atletas visados pela decisão são Catherine Relin Amanang’ole, Brian Kibor, Brigid Kosgei, Ronald Kwemoi e Nelvin Jepkemboi, do Quénia, Rajindra Campbell, Jaydon Hibbert, Wayne Pinnock e Rojé Stona, da Jamaica, Favour Ofili, da Nigéria, e Sophia Yakushina, da Rússia.


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