NBA: Minnesota Timberwolves contrariam o small ball e dominam com altura e largura

Rudy Gobert e Karl-Anthony Towns têm uma média de mais de 35 pontos, 21 ressaltos, quatro assistências e três blocos por jogo esta época.
Rudy Gobert e Karl-Anthony Towns têm uma média de mais de 35 pontos, 21 ressaltos, quatro assistências e três blocos por jogo esta época.Stephen Maturen/Getty Images North America/Getty Images via AFP

Os Minnesota Timberwolves estão a fazer melhor do que em muitos anos, apesar de, no verão de 2022, a equipa ter investido fortemente numa constelação de dois postes muito diferentes que vários questionaram.

Quando os Golden State Warriors ganharam o seu primeiro campeonato da NBA em 40 anos, em 2015, foi com um plantel excecionalmente pequeno, que viu a luz do dia pela primeira vez no quarto jogo da série das finais, depois de a equipa de Steve Kerr ter ficado a perder por 1-2 contra os Cleveland Cavaliers de LeBron James.

Steve Kerr optou por retirar o maior jogador dos Warriors na altura, o poste australiano Andrew Bogut, da equipa titular. Entrou Andre Iguodala, conhecido pela sua defesa e jogo de transição, e na posição de poste entrou o significativamente mais pequeno mas muito mais móvel Draymond Green.

Foi o início de uma onda na NBA em que não era invulgar ter jogadores de tamanho inferior às duas posições tradicionalmente grandes, 4 e poste. Anos antes, o treinador de longa data dos Miami Heat, Erik Spoelstra, tinha jogado com uma abordagem maiis versátil, com Udonis Haslem e Chris Bosh a alternarem sem problemas entre as duas posições, mas o domínio dos Warriors popularizou o termo "small ball".

Se o termo está agora a desaparecer é talvez questionável, mas, neste momento, a melhor liga de basquetebol do mundo não é certamente dominada por uma equipa que jogue "small ball". Muito pelo contrário, de facto. Atualmente, nenhuma equipa tem uma melhor percentagem de vitórias na NBA do que os Minnesota Timberwolves, apesar de a equipa de Chris Finch ter dois postes tradicionais no cinco inciial.

Por isso, muitas sobrancelhas se levantaram quando os Timberwolves enviaram um pacote considerável de ativos para os Utah Jazz, no verão de 2022, para adquirir o contrato de Rudy Gobert. Para além de uma série de escolhas de draft, os Timberwolves enviaram quatro jogadores para Salt Lake City.

Mas o que é que os Timberwolves queriam realmente com Gobert? Durante anos, a equipa já tinha investido fortemente em Karl-Anthony Towns, a primeira escolha do draft de 2015. Um poste  versátil, conhecido pelas suas capacidades ofensivas, especialmente o seu lançamento de três pontos, mas também conhecido pelas suas deficiências defensivas. Gobert é exatamente o oposto. Como é que Chris Finch ia conseguir fazer funcionar as duas coisas?

Não foi bem sucedido na época passada, a primeira de Gobert em Minnesota. Embora os Timberwolves tenham chegado aos playo-ffs depois de passarem pelo play-in, a temporada foi de altos e baixos para Finch e companhia. Para Gobert, a época caracterizou-se por desempenhos inconsistentes, coroados por uma polémica com o colega de equipa Kyle Anderson, que Gobert esmurrou a meio de um jogo em abril.

Mas esta época as peças encaixaram, com Gobert e Towns a trabalharem em conjunto de forma brilhante, ajudados por um sexto homem igualmente forte que também é um pivot de nascimento, Naz Reid, de 24 anos.

Gobert continua a ser o farol defensivo, e o francês tem, de certa forma, influenciado o jovem Towns, que teve dificuldades em encontrar um nível defensivo consistente no passado. Towns está agora a fazer isso mesmo e, depois de um início de época hesitante em termos ofensivos, a estrela de 28 anos está agora a dar o seu melhor nesse campo.

É certo que a maior estrela da equipa, Anthony Edwards, também está a fazer a sua parte, mas é certamente mais surpreendente que a melhor equipa da liga neste momento tenha três postes entre os seus jogadores mais importantes, e que também conte com o igualmente longo 4 Jaden McDaniels, a par do já referido Naz Reid, que normalmente joga na posição 3. 

De notar também que nem Karl-Anthony Towns nem Naz Reid jogam como postes tradicionais. Não se trata da abordagem de Shaquille O'Neal, que consiste em fazer post-up sobre post-up e concentrar-se no pick-and-roll. Em vez disso, são dois postes extremamente dinâmicos que conseguem correr com bola e lançar de longe, tão bem que, até há pouco tempo, Towns e Reid tinham ambos a lendária média de 50-40-90 de percentagem de lançamentos - 50% em todos os lançamentos, 40% em tentativas de três pontos, 90% em lançamentos livres. 

Naz Reid desceu agora para menos de 40% nas tentativas de três pontos, mas ter dois homens grandes tão precisos é algo completamente inédito. Claro que outros postes já o fizeram no passado, Larry Bird conseguiu o lendário split duas vezes, Dirk Nowitzki fê-lo uma vez, mas ter dois jogadores que nasceram na posição de poste a fazê-lo na mesma equipa e na mesma época? É um facto inédito.

Ainda é cedo para prever até onde irá a equipa de Chris Finch e companhia, mas, por enquanto, a principal equipa da NBA, que venceu 16 dos primeiros 20 jogos da época, é exatamente o oposto da ideia de "small ball" que foi popular e bem sucedida durante vários anos.

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