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Benfica considera que processo de centralização é “anacrónico e desatualizado”

Nuno Catarino, vice-presidente do conselho de administração do Benfica
Nuno Catarino, vice-presidente do conselho de administração do BenficaSL Benfica

O vice-presidente do conselho de administração da Benfica SAD e do clube, Nuno Catarino, afirmou na segunda-feira que o processo de centralização dos direitos audiovisuais do futebol português “tem pechas, é anacrónico e está desadequado”.

O futuro deixa-nos muito preocupados, como temos dito várias vezes, como tem dito o presidente, como tenho dito eu, quer em sede da Liga, quer nos fóruns adequados. O facto de lançarmos esta petição é exatamente porque achamos que estamos a seguir uma receita de há 10, 15 anos, para uma realidade que já não é, de todo, a de há 10 ou 15 anos. Achamos que este projeto de centralização tem algumas pechas, é anacrónico, está desadequado”, disse em entrevista à televisão do clube, no dia em que foi revelado que a SAD do Benfica teve um resultado líquido positivo de 19,1 milhões de euros (ME) na última temporada futebolística, apresentando lucro pela segunda época consecutiva,

O presidente do Benfica, Rui Costa, submeteu em agosto à Assembleia da República uma petição que pede a suspensão e revisão do atual modelo de comercialização centralizada dos direitos audiovisuais.

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A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos da I e II ligas foi decretada pelo Governo em 2021, na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Federação Portuguesa de Futebol e Liga Portuguesa de Futebol Profissional, com aplicação a partir de 2028/29.

Este modelo inviabilizará os clubes de comercializarem individualmente os direitos de transmissão das suas partidas, tal como fez o Benfica em janeiro, ao cedê-los de novo à operadora NOS, a par da distribuição da estação BTV, num acordo de 104,6 ME para 2026/27 e 2027/28.

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Nuno Catarino lembrou que os grandes exemplos dados eram os mercados italiano e neerlandês e salientou que ambos estão a “decair profundamente”, acrescentando ainda que em França existe uma realidade diferente de um clube (o bicampeão europeu Paris Saint-Germain), que é uma ilha em relação aos restantes.

Acreditamos profundamente que, para a larga maioria dos clubes em Portugal, até centralizar, juntarem-se e negociarem os seus direitos de uma forma agregada faz todo o sentido. Agora, não acreditamos que faça sentido para todos fazer tudo igual e depois montar uma chave artificial que, em boa verdade, também não reflete aquilo que é a componente social do produto na sua dimensão, que vai para além do futebol, em que também entra aquilo que é o peso. Não tem isso em consideração e chegamos a uma solução que não vai ser boa para ninguém e vai ser penosa para todos”, frisou o responsável.

O vice-presidente dos encarnados acredita que o bolo a distribuir vai diminuir e que será “menos para dividir”, referindo que vai ser “muito mais penoso para o Benfica”.

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Vai ser penoso para todos e vai ser muito mais penoso para o Benfica, se (a centralização) avançar, e nós acreditamos que ainda é possível inverter a situação, porque, ainda por cima, vão penalizar aquele que foi o clube que mais inovou na componente do produto, o que é uma coisa que não faz sentido. Isto é quase penalizar o mérito, o arrojo de lançar um canal de televisão, de distribuir o seu próprio produto de uma forma que mais ninguém faz no resto do mundo. Isto é bastante pernicioso, para usar uma palavra moderada, e nós vamos combatê-lo”, garantiu.

Em relação ao ponto de situação sobre a petição, o responsável referiu que o primeiro objetivo está concretizado, com a recolha do número mínimo de assinaturas para ser discutida em plenário.

Achamos que vamos ter um muito bom número de adeptos. E não apenas adeptos do Benfica, mas também de outros clubes, que vão perceber que temos de arranjar modelos novos para este produto. Primeiro, é preciso valorizar o produto. É preciso fazer o trabalho de casa que estava pensado fazer há sete anos e que não foi feito. Estamos a começar uma casa pelo telhado, sem fundações, sem nada, e o resultado antevemos que, se não se parar agora, não vai ser bom”, frisou.

A Autoridade da Concorrência (AdC) deu em junho um parecer positivo ao modelo de centralização dos direitos audiovisuais aprovado pela maioria dos clubes da LPFP.

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Em 08 de junho, as sociedades desportivas dos campeonatos profissionais aprovaram, com cerca de 80% dos votos, a proposta apresentada pela Liga Centralização para a distribuição das futuras receitas provenientes da comercialização dos direitos audiovisuais do futebol português.

A proposta aprovada pelos clubes assenta num modelo que combina diferentes critérios de repartição, valorizando o mérito desportivo, o desempenho nas competições nacionais, o ranking europeu da UEFA e o histórico recente dos clubes na I Liga.

Segundo a chave de repartição aprovada, no escalão principal, a distribuição das verbas vai ser definida por cinco critérios e a maior fatia está ligada ao sucesso desportivo, uma vez que 57,5% do valor será alocado em função da posição final no campeonato, do histórico de classificações e da contribuição para o ranking da UEFA.

Outros 20% vão ser repartidos pelos clubes em partes iguais, enquanto os restantes critérios incluem em parcelas mais pequenas as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas (17,5%), as condições proporcionadas para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições para o trabalho da comunicação social (2%).

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