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Na etapa inicial, o conjunto da Luz apenas surgiu a espaços e deu sinais de vida no ataque durante dez minutos. O período final foi diametralmente distinto, a equipa pressionou de forma mais eficaz, foi mais afoita em termos ofensivos e aguçou o apetite para o que está por chegar.
O Benfica não deslumbrou, ficou muito aquém do esperado na primeira metade, com muita lentidão nos processos, previsível na fase de construção e sem rasgos criativos nos últimos 30 metros. No reatamento, mostrou outra face, foi mais eficaz na pressão, explorou os três corredores com outra voracidade e imprimiu mais velocidade no ataque.
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Benfica entre dúvidas e certezas
Com o mercado ainda em ebulição e muitas incertezas sobre como será o plantel, Marco Silva ainda aguarda por reforços, espera pelos jogadores que estiveram no Mundial - e que estão a chegar ao Seixal a conta-gotas - e tem de definir a equipa-tipo que vai atacar a pré-eliminatória diante do St. Gallen. O teste frente ao Villarreal serviu para definir as bases com que os encarnados vão atacar o opositor helvético.
Numa análise mais geral, o substituto de José Mourinho tem o onze quase definido e as dúvidas que pairam situam-se na baliza e no meio-campo. No 4x2x3x1, que muitas vezes se desdobra num dinâmico 4x3x3, resta saber quem vai ser o dono da baliza. Trubin foi titular contra o Flamengo e Samuel Soares foi o eleito para defrontar os espanhóis. O internacional sub-21 português não foi muito testado, mas demonstrou agilidade a sair dos postes e muita segurança com a bola nos pés, ajudando a equipa na primeira fase de construção e a sacudir a pressão contrária.

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Na sala de máquinas, Enzo Barrenechea voltou a ser titular, mas Manu Silva entrou com fome, primeiro como defesa-central, nos últimos 23 minutos manteve a bitola como trinco e está a bater à porta para saltar para a titularidade.
Ao contrário daquilo que ocorreu ante o Flamengo, os benfiquistas passaram por poucos sobressaltos na defesa e conseguiram manietar o arsenal atacante dos espanhóis. Bah, que está a voar neste período, construiu com Rafa Silva uma asa direita dinâmica e perigosa, que emergiu na fase de maior fulgor da equipa. Já o camisola 27 no papel atuava como extremo-direito, mas dentro das quatro linhas tinha ordem para aparecer em qualquer lado e assim o fez, ajudou a defender e foi incansável nessa missão e brilhou no ataque com um golaço. Quando Sudakov saiu, vestiu a pele de municiador da frente de ataque até ter sido substituído.
Além da dupla e do já citado Manu, António Silva, Pavlidis, Prestianni e os jovens Miguel Figueiredo e Daniel Banjaqui deixaram boas notas. O ainda capitão não acusou a iminente saída para o Bournemouth e esteve imperial no eixo defensivo.

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Análise individual
Pavlidis surgiu por todo o lado, como é seu apanágio, a tentar ligar o jogo da equipa. É dele o passe que abriu terreno para Rafa inaugurar a contenda e a finalização que sacramentou o resultado final com classe e frieza. Jhon Durán está a chegar, mas o avançado grego parece não temer o ingresso do internacional colombiano.
Prestianni apenas não será titular na próxima quinta-feira porque irá cumprir castigo, entrou aos 70’ e foi o tempo suficiente para agitar o encontro com desmarcações constantes, cruzamentos perigosos e a abertura que redundou no 2-0 final.

Por sua vez, os jovens Miguel e Daniel entraram mais tarde, mas não precisaram de muito tempo para justificarem a confiança da equipa técnica. O médio joga sempre com a cabeça levantada e não tem medo de arriscar. Foi assim que descobriu o lateral-direito no derradeiro lance da partida. O defesa, que luta com Bah e Amar Dedić por uma vaga no onze, deixou alguns lampejos da vertigem que imprime. Olhando para os remanescentes da última temporada, Samuel Dahl não deslumbrou, mas esteve seguro a defender e foi importante na primeira fase de construção.
Enzo Barrenechea arriscou mais no passe, mas continua a parecer curto e demasiado posicional numa posição tão nevrálgica para Marco Silva. Leandro Barreiro soltou-se das amarras na segunda parte e foi uma das chaves para a subida de produção encarnada. Mais discreto esteve Sudakov, é certo que lutou quando a equipa não tinha a bola, mas esteve impreciso com o esférico nos pés.

Os reforços
Dos reforços, Lenglet e Jakub Kamiński foram titulares, já Gabriel Índio foi lançado na base final. O defesa francês jogou os primeiros 49 minutos e mostrou-se seguro nas poucas vezes em que teve de interferir nas missões no eixo mais recuado e eficaz com a bola nos pés, ajudando a ludibriar a pressão alta do Villarreal. O ala polaco foi o reflexo da equipa, apagado na primeira metade e mais ativo na segunda parte, com algumas iniciativas perigosas.
No derradeiro teste de preparação, Marco Silva já desenhou o esboço daquele que será o onze que vai apresentar na próxima quinta-feira, na Suíça. É certo que ainda faltam reforços e os elementos que estiveram no Mundial, mas a base parece mais trabalhada e preparada para dar conta do recado nesta fase embrionária da temporada.
