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Chega propõe plano urgente para garantir o futuro dos atletas do Boavista

Estádio do Bessa, casa do Boavista
Estádio do Bessa, casa do BoavistaBoavista FC

O Chega vai apresentar na Assembleia Municipal do Porto uma moção que recomenda a adoção urgente de medidas que garantam a continuidade da prática desportiva dos atletas do Boavista Futebol Clube, revelou esta sexta-feira o partido.

Em comunicado, o Chega refere que o desaparecimento da atividade do histórico clube do Porto representa “um dos maiores problemas desportivos e sociais que a cidade enfrentou nas últimas décadas”.

“Estão em causa centenas de crianças e jovens em formação, bem como treinadores, formadores, dirigentes, funcionários e famílias que investiram anos na construção de projetos desportivos que ficaram subitamente sem enquadramento”, indica na sua moção.

Apesar da dimensão do problema, e até onde é do conhecimento público, salienta, “a Câmara Municipal do Porto não anunciou qualquer solução para assegurar a continuidade destes atletas, nem durante o processo que conduziu ao desaparecimento da atividade do clube, nem relativamente aos seus equipamentos desportivos, como o Estádio do Bessa”.

No comunicado, o vereador Miguel Corte-Real refere que a Câmara "não pode assistir passivamente ao desaparecimento de um património desportivo desta dimensão. O Porto tem a obrigação de encontrar soluções para que milhares de atletas, sobretudo crianças e jovens, possam continuar a praticar desporto e a desenvolver os seus percursos desportivos.”

A moção lembra que uma parte significativa das modalidades do Boavista utilizava instalações municipais, designadamente o Parque Desportivo de Ramalde (antigo INATEL), e considera que o município dispõe de meios para evitar que este património humano e desportivo se disperse ou desapareça.

O partido lamenta igualmente que “o executivo municipal tenha recusado ponderar a aquisição dos ativos desportivos do Boavista, opção que poderia ter permitido preservar um estádio de dimensão adequada à cidade, manter equipamentos desportivos estratégicos e assegurar a continuidade de parte substancial da atividade do clube”.

“O argumento de que uma operação estimada em cerca de 30 milhões de euros seria incomportável para o município contrasta com outras opções de despesa assumidas pelo executivo em iniciativas como festivais, eventos ou a gratuitidade dos transportes públicos, cujos encargos anuais atingem montantes da mesma ordem de grandeza”, considera.

Perante este cenário, o grupo municipal do Chega, composto por três deputados, uma vez que o quarto eleito passou à condição de independente, propõe que a empresa municipal Ágora – Cultura e Desporto seja mandatada para desenvolver “um programa extraordinário de apoio aos atletas e técnicos afetados, apoiando a criação ou consolidação de clubes e associações que possam assegurar a continuidade da sua atividade”.

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A proposta prevê ainda a disponibilização de instalações municipais, nomeadamente o Parque Desportivo de Ramalde e os pavilhões municipais, bem como a criação de um regime transitório de utilização dessas infraestruturas em condições especialmente favoráveis para todos os clubes e associações durante a próxima época desportiva.

O Boavista vai encerrar a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube portuense da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão tomada pela administradora de insolvência e que incide em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades.

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Em caso de incumprimento dos axadrezados, Maria Clarisse Barros podia ordenar o encerramento imediato da atividade do clube, com efeitos 15 dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores, desfecho que já esteve perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025, mas foi sempre evitado até quarta-feira.

Vendo os próximos passos dependentes do Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, a direção do clube presidida por Rui Garrido Pereira vai tentar assegurar o regresso à competição dos atletas, sobretudo dos escalões jovens, mas rejeita abordar uma eventual refundação do Boavista, criado em 1903 e com nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.

Encerradas as atividades do Boavista no Estádio do Bessa e em espaços adjacentes, no qual se incluem todas as modalidades, as chaves das instalações, livres de pessoas e bens, têm de ser entregues até 31 de julho.

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