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Organização quer elevar escalão da Volta e atrair promessas internacionais

Ciclistas na Volta ao Algarve
Ciclistas na Volta ao AlgarveJOAO MATOS / AFP

A nova organização da Volta a Portugal em bicicleta, a cargo da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), após o afastamento da Podium, ambiciona elevar o escalão da corrida, internacionalizá-la e atrair corredores com potencial para disputar grandes voltas.

Após a apresentação, na quarta-feira, da 87.ª edição da Volta a Portugal, que vai decorrer entre 05 e 16 de agosto, unindo Lisboa e Porto ao longo de 1.388 quilómetros, distribuídos por um prólogo, nove etapas em linha e um contrarrelógio, o presidente da FPC admitiu o desejo de ver a corrida portuguesa ascender do escalão Continental, o terceiro da União Ciclista Internacional (UCI), para o ProSeries, o segundo.

“Se possível, que a Volta possa subir de escalão, e a UCI nos permita manter o número de dias, que é isso que se pretende para uma Volta a Portugal, com 10 dias, um prólogo e um dia de descanso, para abranger todo o território. Essa autorização vai ser submetida à UCI. Sabemos que há regulamentos, mas a nossa vontade é essa”, assumiu Cândido Barbosa, no Santuário da Nossa Senhora da Graça, em Mondim de Basto, onde a prova foi apresentada.

O antigo corredor, de 51 anos, reconheceu que a alteração de datas da Volta a Portugal poderia ser um objetivo, com o intuito de alcançar essa subida de escalão, mas lembrou que a UCI já tem “um calendário extremamente compacto”, difícil de alterar.

Além de querer “internacionalizar a Volta a Portugal”, com equipas internacionais, como é o caso da UAE Emirates na próxima edição, que possam “dar outro alento ao pelotão” e ajudar as equipas lusas a evoluírem para “estarem inseridas no ciclismo mais europeu”, o presidente da FPC afirmou também que a Volta pode ser uma prova apelativa para jovens ciclistas que mais tarde se queiram afirmar nas grandes voltas.

“Que se possa olhar para a Volta a Portugal como uma volta que, antes de ir ao Tour, possa testar ciclistas com futuro no Tour, na Vuelta e no Giro (Volta a Itália)”, afirmou, lembrando que a Volta a Portugal é a quarta corrida por etapas mais longa do ciclismo de estrada.

Diretor d’O Gran Camino, prova da UCI EuropeTour que se realiza anualmente em fevereiro, na Galiza, o espanhol Ezequiel Mosquera vai dirigir pela primeira vez a Volta a Portugal e defendeu que a prova se pode tornar atrativa para promessas do pelotão internacional.

“A experiência mais parecida com uma grande volta não é o Tour de l’Avenir (Volta a França do Futuro), nem é o Baby Giro (a versão sub-23 da prova italiana), nem a Volta à Suíça. A experiência mais parecida para um corredor com futuro é a Volta a Portugal. Um ciclista que esteja na frente aqui no nono dia pode estar na Volta a França no ano seguinte. Mostra que responde bem a vários dias de competição, com alta montanha, média montanha e contrarrelógio. A Volta a Portugal merece outra categoria”, vincou, em declarações aos jornalistas.

Embora a Volta tenha a contrariedade de ser a prova que menos pontos vale por etapa para o ranking da UCI, o que afasta a presença de equipas do WorldTour e do ProSeries, o responsável pela EME Sports assegura que a corrida lusa tem a vantagem de ter muito património a mostrar, podendo ajudar a “vender o país”.

O antigo ciclista, de 50 anos, frisou que a subida a Germil, na sétima etapa, em 13 de agosto, que liga Vieira do Minho às Termas do Gerês, com metade do trajeto em paralelo, algo que não se vê “em mais lado nenhum”, e a dupla ascensão à Senhora da Graça, na nona etapa, em 15 de agosto, com uma primeira subida que inclui um segmento em terra batida, pode “ajudar a mudar mentalidades”.

“É preciso mudar as mentalidades das equipas a impressão exterior a respeito da Volta a Portugal, que não é boa. O facto de não ser boa implica que não conhecem a dimensão deste evento. Em Portugal, há um grande evento de todo um país, com etapas duras e muito bonitas”, disse.

Após a UAE Emirates ter aceitado participar na Volta, já que “não tem crise de pontos” e gostou do que lhe foi proposto, Ezequiel Mosquera espera atrair mais equipas internacionais, incluindo as espanholas do escalão ProTeam, abaixo do WorldTour.

Durante a apresentação, o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, mostrou-se agradado pela forma como todos os agentes ligados à corrida se referiram ao traçado de “forma elogiosa” e saudou a tentativa de internacionalização.

“É possível honrar a história quase centenária da Volta e olhar para o futuro com ambição. Há vontade de crescer e de internacionalizar. Nada se constrói sem trabalho e sem uma equipa. Vejo que essa equipa está a formar-se”, disse o governante, a propósito da corrida fundada em 1927.

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