Após as críticas de associações ambientalistas ao traçado da etapa que liga Vieira do Minho à vila do Gerês, em 13 de agosto, com uma contagem de montanha de primeira categoria na Mata da Albergaria, área do Parque Nacional Peneda-Gerês considerada Reserva da Biosfera pela UNESCO, o ICNF respondeu que a passagem no local é autorizada, mediante condicionantes como a interdição de público.
Leia também - Zero aplaude condicionantes impostas na 7.º etapa
“O propósito não é invadir, nem infringir as regras. É passar com o máximo respeito possível. O único parque nacional de Portugal tem casualmente uma estrada que passa lá, que tem uma montanha de primeira categoria. A mensagem principal a passar é que ali há uma floresta portuguesa que é única”, realçou Ezequiel Mosquera, da empresa espanhola Emesports, que organiza a prova em articulação com a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), durante a apresentação das equipas.
Além da “interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso”, o ICNF determinou também “a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural” e “a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável”.
O ex-ciclista espanhol vincou que essas condicionantes já tinham sido previstas e que o número de carros da organização da corrida será inferior aos que passam no local diariamente, posição corroborada pelo presidente da FPC.
Leia também - Datas, horários, trajeto, favoritos e equipas participantes
“No mesmo dia de agosto, se a Volta a Portugal não passasse na Mata da Albergaria, provavelmente iriam lá passar mais 300 ou 400 viaturas. Em 2025, passaram na Mata da Albergaria 22.500 carros no mês de agosto. Isto dá uma média de 725 carros por dia”, adiantou Cândido Barbosa, durante a apresentação.
O dirigente federativo realçou que o ciclismo é “uma modalidade sustentável e amiga do ambiente”, até pelas regras a que os corredores são sujeitos ao depositarem o seu lixo durante as etapas, e defendeu que a Volta vai ajudar a divulgar a bicicleta como “a melhor forma de visitar” aquela área sensível do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A propósito da corrida que se inicia na quarta-feira, com um prólogo, em Lisboa, e termina em 16 de agosto, no Porto, após 1.430 quilómetros, o antigo ciclista realçou que, no primeiro ano da organização que sucede à Podium Events, não está a ser possível fazer “tudo o que foi idealizado”.
“Não estamos a conseguir fazer tudo o que idealizamos fazer, senão teríamos hoje aqui 140 atletas à partida e não temos 140. Temos 119. Em março, há equipas já com um calendário bem definido, o que torna muito complicado trazê-las”, assumiu.
Ezequiel Mosquera confessa que a organização tentou garantir a presença de diversas formações WorldTour e ProTeams, “várias vezes”, sem sucesso, porque a corrida é prejudicada “pelo sistema de pontos” e precisa de tempo para projetar o seu valor.
“Precisamos de divulgar o valor de uma prova com crono curto, crono longo, alta montanha, média montanha, 11 dias de competição, que é uma singularidade, público, televisão. Não é fácil encontrar isso no calendário”, sintetizou.
Leia também - Volta a Portugal: Lista de inscritos
