Recorde as incidências da partida

Era uma noite histórica para o Torreense. Pela primeira vez, o clube jogava na condição de visitado numa prova da UEFA e, sem possibilidade de atuar em Torres Vedras, encontrou em Leiria o palco para receber o Sunderland, representante da poderosa Premier League. Um duelo quase de conto de fadas: ainda nesta década, as duas equipas andavam pelas respetivas terceiras divisões. Agora, mediam forças na fase de liga da Liga Europa. Épico!
O Torreense chegava embalado pelo triunfo histórico na Noruega, frente ao Lillestrom, enquanto o Sunderland aproveitou a diferença de profundidade e estatuto para rodar bastante o onze e dar minutos a jogadores menos utilizados. Ainda assim, a equipa inglesa entrou naturalmente por cima, assumiu a posse e empurrou os portugueses para trás. O Torreense respondeu com organização, muitas vezes numa linha de cinco e, em alguns momentos, de seis, procurando fechar todos os caminhos para a baliza.

Aos sete minutos, Mohamed Diadié assinou um corte soberbo após cruzamento de Trai Hume e deixou desde cedo o aviso de que seria preciso sofrer. Já aos 24 minutos, os adeptos ingleses ainda festejaram, mas o golo de Timur Tutierov foi anulado por falta ofensiva. O Sunderland tinha mais bola, mais presença no último terço e maior capacidade para instalar o jogo perto da área contrária, mas não conseguia transformar esse domínio em ocasiões claras.
E o futebol, às vezes, gosta de contrariar a lógica. Aos 38 minutos, na primeira grande oportunidade do Torreense, Volnei recebeu de Amine, progrediu no terreno e tirou um remate absolutamente fantástico para onde a coruja dorme. Robin Roefs ficou pregado ao chão, sem qualquer hipótese. Um golaço do central, num momento que incendiou Leiria e premiou a resistência da equipa portuguesa.
Ao intervalo, o Torreense vencia e havia mérito nisso. Passou grande parte da primeira parte remetido ao seu meio-campo defensivo, é certo, mas defendeu com critério, fechou espaços e não permitiu ao Sunderland criar verdadeiro perigo. Quando teve a sua oportunidade, foi letal. Uma eficácia máxima perante uma equipa muito mais poderosa e habituada a outro ritmo competitivo.

Resistência caiu nos descontos
A segunda parte começou com o Sunderland ainda mais agressivo. Aos 57 minutos, Lucas Paes voou para negar um cabeceamento de Nilson Angulo, com Omar Alderete a não conseguir aproveitar a sobra. Três minutos depois, Régis Le Bris percebeu que era preciso mudar o rumo da partida e meteu a carne no assador: Enzo Le Fée, Granit Xhaka, Nordi Mukiele e Reinildo Mandava foram lançados de uma assentada. A preocupação com o resultado era evidente.
O efeito sentiu-se. O Sunderland aumentou a pressão, acelerou pelos corredores e foi empurrando o Torreense cada vez mais para perto da própria área. Aos 68 minutos, Mukiele cruzou em esforço e Jules Ahoka apareceu de cabeça para colocar a bola no canto inferior esquerdo da baliza. Lucas Paes esticou-se todo, mas não conseguiu evitar o 1-1.
O empate galvanizou os ingleses e trouxe alguns minutos de verdadeiro sufoco. Aos 71', Ahoka voltou a surgir em zona de remate e obrigou Lucas Paes a uma enorme intervenção. Na sequência, Chris Rigg ainda tentou a recarga, mas Diadié apareceu com um corte fantástico. Pouco depois, aos 88', o árbitro ainda foi ao VAR para saber se validava uma grande penalidade a favor dos ingleses - não houve castigo máximo. Foram minutos de aflição máxima para uma equipa do Torreense que já defendia quase por instinto.
E resistiu quase até ao fim. Quase. Aos 90+3', Sadiki apareceu para servir o balde de água gelada em Leiria e completar a reviravolta do Sunderland. Depois de uma noite inteira de sacrifício, organização e coragem, o Torreense viu escapar um resultado histórico já no último suspiro.

No fim, ficou o lado mais cruel do futebol. O Torreense esteve em vantagem frente a uma equipa da Premier League, conseguiu discutir o jogo dentro das suas armas e mostrou novamente que a aventura europeia não é um acaso. Mas, quando o empate parecia garantido, o Sunderland encontrou o golpe final. Podia ter sido histórico. Acabou por ser doloroso.
Melhor em campo Flashscore: Granit Xhaka (Sunderland)


