Lautaro Martínez? "Respeitamos o Inter"
- Nos últimos dias do mercado falou-se muito do quanto o Barcelona gostava de Lautaro Martínez e de quantas opções reais existiram para a sua contratação?
Em primeiro lugar, o Lautaro é um ídolo do Inter. Temos-lhe muito respeito. É um jogador fantástico, um jogador espetacular. É um ícone, uma lenda do Inter, o capitão. E por respeito ao jogador, respeito ao clube, no momento em que o clube nos disse que não estava disponível, não falámos mais. Tentámos fazer as coisas de forma muito correta, muito clara. Nada de especulações, nada para a imprensa, porque é trabalho. E, além disso, os clubes são mais relevantes nisto. Mas é verdade que, naquele momento, dos avançados que procurávamos, acreditávamos que poderiam ser jogadores do Barça, o Lautaro poderia ser um deles. Mas no momento em que me apresentaram aos dirigentes do Inter e nos disseram que não estava à venda, respeitei e não voltámos a falar com o jogador nem com o seu agente. Mas é um jogador que nos agradava, adoramos e a mim pessoalmente também.
- Começa uma nova era para o futebol português, também para o italiano. O que acha que deve mudar em Itália para ser como Espanha ou Portugal?
Penso que, em primeiro lugar, trata-se de formação. Nós, Portugal, somos um país pequeno, mas com um grande nível de futebol. Aqui em Portugal, joga-se futebol em todo o lado, em muitos clubes pequenos e históricos que têm bons programas de treino. A Federação, há muitos anos, tem feito um bom trabalho de formação. Portugal consegue competir com todos os grandes países nas categorias Sub-17, Sub-19, Sub-21 e Sub-15. Portugal tem, se olhares para o que temos aqui, esta é a chave para mim, e que os jogadores jovens podem jogar nas suas equipas. Espanha também tem um pouco disto. Acho que Itália tem grandes futebolistas, na minha opinião. Pessoalmente, conheço alguns jogadores jovens que estão em Itália, mas penso que lhes demora muito tempo a chegar à seleção nacional, demora-lhes muito tempo a jogar pelas suas equipas. Em Espanha e Portugal, com 17, 18 anos, já estão a jogar pelas suas seleções e clubes, mas não posso comentar muito porque não estou envolvido no dia a dia. Mas penso que Itália é uma potência, é uma questão de pôr ordem. Acho que há pessoas capazes de pôr ordem, muitos dirigentes de nível e muitos ex-jogadores com uma história incrível que podem ajudar. Mas acredito que, se fizerem as coisas bem, podem voltar ao nível de futebol que a Itália merece.
- As contratações de Gabriel Jesus e Rodri mostraram ser duas operações inteligentes. Pode explicar-nos como aconteceram?
Primeiro, penso que reacendemos o desejo dos jogadores que querem vir para o Barcelona. Isso é muito importante para nós. Nos últimos três anos, vencemos, e penso que todos os jogadores que viram jogar o Barcelona gostariam de se juntar ao clube. É mais fácil quando vais ao mercado e falas do Barcelona, falas dos nossos projetos, falas dos jogadores que temos agora. Não é fácil competir contra um clube da Premier League, que é a melhor, não para o meu trabalho, mas é a melhor liga do mundo. Por isso, os jogadores, sabemos que o mercado é enorme, é forte, mas penso que quando tens o Barcelona do teu lado, quando jogas a este nível, quando os jogadores veem o que estamos a fazer lá, penso que é mais fácil convencer os jogadores a virem connosco. O caso do Rodri foi diferente porque ganhou tudo no City e eles ajudaram o Rodri a sair porque era o seu desejo. O Gabriel Jesus, penso que é um jogador de topo. Não jogou muitos jogos no Arsenal. É futebol, às vezes quando mudas, com uma nova motivação, um novo clube, novos colegas de equipa, isso é importante para o Gabriel. Estamos contentes por tê-lo. Acho que foram dois movimentos diferentes, mas estamos muito satisfeitos.

JJ Gabriel? "Não sei o que aconteceu"
- Se pudesse perguntar-lhe sobre o JJ Gabriel, que foi visto em Barcelona...
Não, não há nada a dizer sobre esse jogador. Normalmente, há sempre alguns jogadores associados a nós. Existem grandes marcas envolvidas. Mesmo quando são jovens, não estamos interessados em nenhum jogador na sua situação. Não sei o que aconteceu. Não sei se ainda joga no Manchester United. Não sei. Não nos interessa isso porque, em primeiro lugar, precisamos de perceber todas as situações antes de tentar fazer alguma coisa. Falamos de jogadores jovens, jogadores adolescentes. Não é da nossa conta.
- Posso perguntar-lhe sobre o Raphinha, a sua importância agora que passou a ser o avançado centro? Como acha que evoluiu até se tornar um jogador moderno?
Falámos com ele no final da época. Na época passada também falámos com o Hansi. Uma das ideias do Hansi era tentar ter um número 9. Não sabíamos exatamente o que iria acontecer porque é algo diferente até para ele, que tinha jogado como extremo, como 10. Quando decidimos avançar para o Anthony (Gordon), sabíamos, claro, que ele e o Karim (Adeyemi) precisavam de jogar. Isso significava que, para o Raphinha, a ideia era encontrar outra posição para ele, talvez a de número 10 ou a de número 9. Estamos contentes porque descobrimos um novo papel para o Raphinha, mas o mais importante é que ele também está feliz. Fazer este trabalho é diferente porque, por vezes, não está em contacto com a bola. Quando és extremo tens a bola a maior parte do tempo, por isso esta posição é diferente. Tem de estar preparado para atacar as costas dos defesas. Portanto, é diferente para ele. Esperávamos que pudesse estar bem, mas não a este nível. Mas a sua qualidade é diferente, é enorme. Por isso penso que pode jogar ali. Pode fazê-lo como extremo direito, extremo esquerdo, avançado centro e também como número 10. É um jogador que dá tudo pela equipa. É um jogador completo. Por isso estamos satisfeitos.
- Ainda existe o desejo do Barça de contratar o Julián Álvarez?
Outra vez? (risos) Olha, nós... O caso do Julián não tem nada a ver com o Raphinha. Porque sabíamos perfeitamente que esta época ia sair para mim um 9 diferente, o melhor 9, que é o Robert Lewandowski. Gostaríamos que o tempo parasse para podermos continuar a ver todos os grandes como sempre, mas é uma questão de idade, é uma questão de tempo. O Robert chegou no seu momento, deu tudo pelo Barça, ganhámos títulos, mas houve momentos de mudança, e ele também precisava disso. Não é fácil, porque é um verdadeiro 9. Para nós, a ideia sempre foi trazer um jogador com mobilidade, com capacidade de se associar e o Julián era um deles. Não foi possível, fizemos uma proposta, já falámos demasiado sobre isto. O clube sempre disse que não o venderia e tivemos de procurar outras soluções. No caso do Gabriel há muita gente que não percebeu, mas não era que o Gabriel não estivesse nos nossos planos, é que não conhecíamos a sua situação, porque se falava muito que podia renovar. E no momento em que decidimos que o Julián era impossível, começámos a procurar soluções, e o Gabriel era perfeito para nós, dado que o Raphinha já se estava a tornar num 9. Portanto, a ideia não mudou, a ideia era procurar um jogador deste perfil, mas o Julián é passado, temos de seguir em frente, estamos contentes com os outros, espero que a ele também lhe corra bem, que esteja feliz no seu clube. E no fim é isso, há muitos acordos, muitas contratações que não se concretizam, assim é o futebol. Muitas vezes há jogadores que não vêm, também tentam levar os nossos jogadores. Assim é o futebol, é um pouco assim, mas estamos satisfeitos com o que temos, e desejamos aos que não puderam estar connosco que estejam contentes e felizes.
