Estrela vai apresentar recurso após rejeição do PER e garante "pressupostos para o licenciamento"

Estrela da Amadora garantiu permanência na Liga Portugal na última jornada
Estrela da Amadora garantiu permanência na Liga Portugal na última jornadaHUGO DELGADO/LUSA

O Estrela da Amadora anunciou esta sexta-feira, através de um comunicado publicado no site oficial, que vai apresentar um recurso no Tribunal da Relação, na sequência da rejeição do Plano Especial de Revitalização (PER) por parte do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.

A tomada de posição do clube da Amadora relaciona-se com a determinação proferida pelo Juízo de Comércio de Sintra do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Oeste em não homologar o PER apresentado, em função das impugnações apresentadas pelas sociedades MYFC e MYFC Ventures, os brasileiros do Flamengo e a empresa PSG – Segurança Privada, credoras de valores em dívida.

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Na nota publicada esta sexta-feira, o Estrela diz entender que o PER "constitui um mecanismo legal destinado a permitir a recuperação de empresas viáveis através de um acordo livremente negociado entre devedor e credores" e que não compete ao Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa "substituir a avaliação económica efetuada pelos credores nem reapreciar o mérito ou a oportunidade das soluções por estes aprovadas".

O clube da Liga Portugal, que garantiu a manutenção na última jornada da temporada 2025/26, esclareceu ainda que "cumpre os pressupostos legalmente exigidos para o licenciamento desportivo" nas competições profissionais.

Recorde-se que o PER foi aprovado por 60% dos credores do Estrela da Amadora, antes de ser rejeitado pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. 

Leia o comunicado na íntegra:

"Na sequência da decisão de não homologação do Plano Especial de Revitalização (PER), o Estrela da Amadora informa que irá interpor recurso para o Tribunal da Relação, por considerar que a decisão proferida não fez a melhor interpretação do regime jurídico aplicável ao Processo Especial de Revitalização.

O PER constitui um mecanismo legal destinado a permitir a recuperação de empresas viáveis através de um acordo livremente negociado entre devedor e credores. A intervenção do tribunal nesta fase tem, nos termos da lei, natureza essencialmente fiscalizadora da legalidade do processo, cabendo-lhe verificar o cumprimento das normas processuais e materiais aplicáveis, não lhe competindo substituir a avaliação económica efetuada pelos credores nem reapreciar o mérito ou a oportunidade das soluções por estes aprovadas.

No presente caso, o plano foi aprovado por uma maioria absolutamente expressiva, superior a 99% dos credores votantes em número e por mais de 60% do valor dos créditos, demonstrando de forma inequívoca a confiança dos credores na solução apresentada e na viabilidade do Estrela da Amadora.

O Clube e a SAD entendem, por isso, que a vontade claramente manifestada pelos credores merece especial respeito, tanto mais quando constitui a essência do mecanismo de revitalização previsto no Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas.

Sem prejuízo do recurso a apresentar, e apesar de o Estrela da Amadora continuar a discordar do entendimento adotado pelo Tribunal, foram desde logo promovidas as diligências necessárias para responder às questões identificadas na decisão, eliminando qualquer dúvida que pudesse subsistir quanto à conformidade do plano com as exigências legais.

O Estrela da Amadora mantém total confiança de que a instância superior apreciará a questão de acordo com o enquadramento legal aplicável, assegurando o equilíbrio entre o controlo de legalidade cometido aos tribunais e o respeito pela vontade soberana dos credores, expressa através das maiorias legalmente exigidas.

Por último, o Estrela da Amadora lamenta a divulgação de informações incorretas que têm circulado em alguns órgãos de comunicação social relativamente à sua situação.

Nesse sentido, esclarece de forma categórica que cumpre os pressupostos legalmente exigidos para o licenciamento desportivo, mantendo-se empenhado em assegurar a estabilidade institucional, financeira e desportiva do Clube e da SAD.

O Estrela da Amadora continuará a agir com transparência, responsabilidade e absoluto respeito pelas instituições, defendendo simultaneamente, por todos os meios legalmente previstos, os legítimos interesses do Clube, da SAD, dos seus trabalhadores, dos seus credores, dos seus sócios e adeptos".

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