Responsável felgueirense na década de 90 do século XX, altura em que Jesus garantiu a inédita subida do clube nortenho ao escalão maior e estreou-se como treinador principal na elite do futebol luso (1995/96), Sidónio Ribeiro crê que a seleção tem “grandes craques a nível mundial”, mas precisa de se afirmar como equipa, desígnio, a seu ver, ao alcance do técnico, de 71 anos.
"Com o Jorge Jesus, a seleção nacional vai começar a ser uma equipa. (…) A seleção é um bocado diferente de treinar um clube. Os jogadores só se juntam para poucos treinos, antes de jogar, mas, conhecendo o Jorge Jesus, vai-se organizar de maneira a pôr esta equipa com grandes jogadores a jogar bom futebol, a deixar as seleções de todo o mundo com muito mais respeito pela seleção nacional”, refere, em declarações à Lusa.
O ex-dirigente, de 71 anos, conheceu o técnico natural da Amadora quando ainda orientava o Amora, clube no qual iniciou a carreira, num percurso entre 1989 e 1993, e sentiu que se “enquadrava no que pretendia” para o emblema azul-grená quando o contratou em novembro de 1993, para suceder a Rodolfo Reis, com a equipa no 13.º lugar da II Divisão.
O Felgueiras terminou o campeonato de 1993/94 na sexta posição e melhorou o desempenho em 1994/95, rumo a um terceiro lugar que lhe garantiu uma inédita presença no escalão maior, com um plantel no qual sobressaiu a disciplina e a organização do treinador.
“O Jorge Jesus é um grande profissional, um ser humano extraordinário, disciplinado, que gosta de tudo organizado. Com ele, não há baldas. Com o respeito que tenho por todos os treinadores que passaram pelo Felgueiras, notava-se uma diferença enorme. Percebe de futebol como poucos”, vinca.
Sidónio Ribeiro lembra que o plantel de 1995/96, em que pontificavam o lateral-esquerdo Leal, o extremo Sérgio Conceição, emprestado pelo FC Porto, e o ponta de lança Lewis, ocupou quase sempre a primeira metade da tabela na primeira volta, antes de cair para o 16.º lugar e consequente despromoção, que, no seu entender, pouco teve a ver com o trabalho desenvolvido por Jorge Jesus.
“O Felgueiras acabou por descer de divisão, mas não teve nada a ver com o trabalho do Jorge Jesus. São situações extra-futebol. No ano em que esteve na I Divisão, o Felgueiras dava festival de futebol, principalmente em casa”, alega.
Grato ao treinador que está prestes a ser apresentado como selecionador nacional, às 15:00, na Cidade do Futebol, em Oeiras, o antigo dirigente atribui a Jesus o mérito de o Felgueiras se ter tornado “um clube organizado” na década de 90 e crê que o treinador está plenamente preparado para liderar a equipa das quinas.
“Hoje está muito mais maduro. A idade ajuda a que as pessoas fiquem maduras. Hoje, está muito mais bem preparado para assumir o cargo que vai assumir na seleção nacional”, antecipa, a propósito do técnico que se sagrou campeão nacional no Benfica, campeão brasileiro e vencedor da Taça Libertadores no Flamengo e campeão saudita no Al-Hilal e no Al-Nassr.
Jorge Jesus vai suceder ao espanhol Roberto Martínez como selecionador nacional, após Portugal ter sido eliminado pela Espanha, nos oitavos de final do Mundial-2026, ainda em curso, nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
