O lado mais íntimo de Lamine Yamal: "Não quero que se saiba como sou"

Lamine Yamal brinca durante um treino com a seleção espanhola
Lamine Yamal brinca durante um treino com a seleção espanholaREUTERS/Hannah Mckay

Lamine Yamal admite que não quer expor-se totalmente em público e valoriza como a sua vida mudou em relação à que tinha no bairro.

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Lamine Yamal tem sempre uma atenção especial sobre si. Na sua última entrevista ao EL MUNDO, o extremo da seleção espanhola revela um pouco mais do seu lado mais pessoal, embora reconheça que prefere continuar a manter essa proteção perante os outros. Um jovem que não esquece de onde vem nem as dificuldades que a sua família pode ter passado no passado. Agora, desfruta com eles de uma nova vida que ele próprio reconhece não ser normal para a sua idade.

Questionado precisamente se acha que as pessoas sabem como é pessoalmente, Lamine é claro. "Não, por isso é que respondo sempre o mesmo nas entrevistas, para que nunca o saibam. Talvez por isso as pessoas tenham uma imagem de mim que não corresponde à realidade. Não quero que se saiba como sou. É algo que guardo para mim. Acho que têm essa imagem de mim que não é a verdadeira. Não me importa o que pensam de mim. Caso contrário, diria a verdade em todas as entrevistas. Às vezes penso que é coisa da imprensa, às pessoas não lhes interessa como sou".

Como gostaria de ser visto daqui a 20 anos. "Gostava que dissessem que, dentro do futebol, fui uma referência, que inspirei em algum momento da sua carreira os futebolistas que virão. Que vejam vídeos meus, jogos, que se inspiraram em mim. Fora do futebol, fui uma pessoa que disse a verdade. Que digam que fui sempre frontal e que fui boa pessoa. Acima de tudo, isto: que fui boa pessoa".

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O bairro, fundamental no seu caráter. "Ser do bairro significa teres crescido na realidade. A realidade da maioria das pessoas que vivemos, que já não é a minha agora. Ser do bairro não tem nada a ver com delinquência. As pessoas que não são do bairro pensam que é outra coisa. Significa ir com os teus amigos ao parque, jogar, voltar a casa, tentar ver futebol em qualquer café, tomar algo com a tua mãe, ir a um restaurante uma vez por mês. Isso é ser do bairro, não é causar problemas".

"Quem me põe no meu lugar? A minha mãe. Quando nunca perdes o respeito por uma pessoa, não é preciso que tome medidas. Nunca perdi o respeito à minha mãe. Ela é sempre quem fala. Quando a minha mãe fala, toda a gente a ouve. O meu irmão, os meus amigos, eu...", conta.

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E termina com uma reflexão sobre como a sua vida mudou. "Precisamente no outro dia fui jantar com a minha família e a minha namorada depois do jogo contra Portugal. No restaurante, trouxeram de sobremesa uma daquelas nuvens gigantes de açúcar. Lembro-me que em pequeno ia sempre às feiras em Granollers e Mataró. E essas nuvens aparentemente custavam pouco dinheiro, mas eu não podia comprá-las todos os anos. Uma vez, a minha mãe disse-me: 'No ano de Mundial compro-te uma'. E nesse dia lembrámo-nos disso. Lembro-me que a minha mãe saía rapidamente do trabalho para poder passar 10 minutos comigo antes de eu adormecer. O meu pai desenrascava-se na rua para nos trazer comida. Lembro-me de tudo isso e valorizo-o muito".

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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