"Estou sem contrato e a estudar a melhor solução"
- Depois de cinco épocas na Turquia, em que ponto está a sua carreira neste momento?
Passei bons anos na Turquia, mas acho que já estava na altura de dar outro rumo à minha carreira. Neste momento estou sem contrato e a estudar a melhor solução, o melhor projeto para seguir. Já tive algumas propostas e agora estou à espera de outras para perceber qual será a melhor e qual será o meu próximo rumo.
- Está mais inclinado para continuar no estrangeiro ou coloca também a hipótese de regressar a Portugal?
Também tive uma proposta de Portugal. Sim, voltar a Portugal é uma boa ideia. Tenho falado com a minha família e sabemos que também pode ser uma hipótese. Já temos saudades de estar em Portugal. As minhas filhas já estão aqui na escola e ficar em Portugal não seria uma má ideia. Acho que seria até benéfico para todos, em todos os aspetos.
- Estando sem contrato, pode ser inscrito a qualquer momento, certo?
Sim, posso ser inscrito a qualquer momento, estando sem contrato. E, como disse, Portugal será sempre uma boa opção, porque foi aqui que cresci e aprendi tudo. Seria bom estar de volta.
- Na Primeira Liga?
Sim. Seria bom estar de volta à Primeira Liga. Ainda tenho 32 anos, mas acho que sou um jogador que pode jogar muitos mais anos. Porquê? Porque cuido de mim para isso. Não bebo, não fumo e durmo bem. Isso é muito importante para um atleta. Acho que estou preparado para um próximo desafio, seja aqui em Portugal ou no estrangeiro.

Adepto do Sporting, grato ao Rio Ave: "Foi onde voltei a sentir-me feliz"
- Fez a formação no Sporting e é um jogador muito associado ao clube. Jogou também na equipa principal. Imagino que tenha um carinho especial pelo Sporting.
Sim, claro. O Sporting é tudo para mim. Foi lá que cresci e aprendi a ser melhor jogador e melhor pessoa. O Sporting estará para sempre no meu coração. Sou adepto ferrenho do Sporting e desejo sempre o melhor ao clube. Toda a minha família também é do Sporting e estamos sempre a apoiar. Queremos sempre o melhor para o Sporting.
- Estugarda, Union Berlim, Rio Ave, Kayserispor... Foram várias experiências depois do Sporting. Como olha para essas passagens e onde se sentiu melhor?
Sem contar com o Sporting, onde me senti melhor foi em Estugarda. Apesar de ter tido duas lesões muito complicadas, que me fizeram ficar afastado dos relvados durante 20 meses, se não me engano, acho que foi uma experiência muito boa para mim. Tive uma época em que fiz 18 jogos. Foram poucos, mas foram jogos com muitas vitórias. São momentos que nunca mais vou esquecer em Estugarda. Foram muito marcantes na minha vida.
- Depois seguiu-se o Union Berlim, ainda na Alemanha, e mais tarde o Rio Ave, já em Portugal. Como foram essas experiências?
O Union Berlim foi uma fase complicada da minha carreira, porque vinha de lesão. Entretanto, tive uma proposta para ir para lá jogar durante seis meses, mas não consegui jogar o futebol que queria, porque ainda tinha algumas dores decorrentes da lesão. Ficar afastado durante 20 meses não é fácil. Ainda assim, acho que também foi importante para aprender e para conseguir tirar o melhor de mim, mesmo com algumas dores.
No Rio Ave foi onde tudo teve um recomeço positivo. Foi onde consegui reencontrar-me e onde voltei a sentir-me feliz. As pessoas do Rio Ave ajudaram-me bastante a voltar àquilo que era antes das lesões. Consegui voltar e depois fui transferido para a Turquia. Fiquei cinco anos no Kayserispor. Foi o clube em que joguei durante mais tempo, sem contar com o Sporting. Também foram anos bons. O primeiro foi mais de conhecer o país e o futebol. O segundo já foi melhor e o terceiro também.
No quarto e no quinto anos já me sentia em casa. Foram cinco anos bem passados, em que conheci outra cultura. As pessoas na Turquia respeitaram-me sempre e a minha família também gostava muito de estar lá. Serão também momentos marcantes na minha vida.
- O futebol também proporciona isso: passar por diferentes países e conhecer novas realidades. Sente que as experiências na Alemanha e na Turquia foram muito positivas nesse sentido?
Sim, foram muito positivas. Gosto de conhecer novas culturas e novos países. Pelo menos na cidade onde estava, na Turquia, encontrei um ambiente bastante acolhedor. Era uma cidade muito familiar e isso também ajudou bastante na minha adaptação e na adaptação da minha família.

A referência Nani e os elogios a Leonardo Jardim e a Abel Ferreira
- Ao longo da carreira jogou com grandes jogadores, tanto no Sporting como, mais recentemente, no Kayserispor. Quem foi o jogador que mais o impressionou? Com quem gostou mais de jogar ou sentiu maior entendimento dentro de campo?
Joguei com muitos jogadores, mas, se calhar, no Sporting destacaria o Nani. Era um jogador que atuava na minha posição e aprendi muito com ele. Sempre foi um jogador que admirei e, depois, ter a oportunidade de jogar com ele foi muito bom. Foi muito bom partilhar o balneário com o Nani.
- E entre os treinadores, quem mais o marcou ao longo da carreira?
O treinador que marca sempre um jogador é aquele que o lança. No meu caso, quem me lançou foi Leonardo Jardim, juntamente com Abel Ferreira. Foram os dois treinadores que me lançaram e tenho sempre um carinho especial por eles, por aquilo que fizeram por mim. Ajudaram-me a chegar à equipa principal do Sporting. É engraçado que agora estão os dois no Brasil, a jogar um contra o outro. Eu também já tive uma proposta para ir para o Brasil, mas não achei que fosse assim tão interessante para mim e não fui.
Mas, se tivesse ido, teria sido muito bom reencontrá-los no Brasil e jogar contra eles, sabendo que foram os dois treinadores que me ajudaram a chegar à equipa principal do Sporting. O mister Abel era o treinador dos sub-19 e Leonardo Jardim era o treinador dos seniores. Fizeram essa ponte para eu chegar à equipa A. Sou muito grato por aquilo que fizeram na minha vida.
- Já percebia, nessa altura, que Leonardo Jardim e Abel Ferreira tinham qualidade para chegar tão longe nas respetivas carreiras?
Sim. Logo nos primeiros treinos, tanto com o mister Abel como com o mister Leonardo Jardim, já se percebia que tinham algo diferente. Via-se pela mensagem que passavam ao grupo e pela confiança que transmitiam individualmente aos jogadores. Acho que isso é muito importante: fazer com que toda a gente se sinta em casa. Eles conseguem tirar o melhor de todos os jogadores e isso é muito importante.
- Estamos quase a terminar a nossa entrevista. Gostava que falasse um pouco da seleção da Guiné-Bissau. Nasceu em Portugal, mas, pela sua ascendência guineense, optou por representar a Guiné-Bissau. O que significa para si representar a seleção?
Representar a Guiné é sempre um orgulho. Foi o país onde nasceram os meus pais e toda a minha família é da Guiné. São momentos muito bons quando vou jogar pela nação guineense, que é uma nação muito batalhadora. Dentro de campo, aquilo que tento fazer é batalhar por eles e dar o máximo para que se sintam orgulhosos de mim e da nossa equipa.

"O Sporting vai conseguir dar a volta e ter resultados mais positivos"
- Tem acompanhado o campeonato português? O FC Porto tem estado muito forte neste início. E como tem visto o seu Sporting?
Acho que o Sporting baixou um bocadinho da época passada para esta. Mas o campeonato ainda está no início e acho que o Sporting vai conseguir dar a volta e ter resultados mais positivos. Acredito que vai conseguir alcançar os seus objetivos, porque tem um bom treinador, um treinador que acredita muito nos jogadores e de quem os sportinguistas gostam. Acho que ainda vai ganhar mais alguns títulos pelo Sporting, com certeza. O presidente também está a fazer um bom trabalho. Quero dar-lhe os parabéns, porque tem feito um grande trabalho e tem tudo para, um dia, ser o melhor presidente de sempre do Sporting.
- Também chegaram muitos jogadores novos à equipa e precisam naturalmente de algum tempo de adaptação, não é?
Sim. O Sporting vendeu muitos jogadores e agora chegaram jogadores novos. Muitas pessoas pensam que o processo de adaptação é fácil, mas não é. Ainda precisam de algum tempo para conseguirem criar uma melhor ligação dentro de campo. Acho que é isso que vai acontecer. Vão começar a conectar-se melhor dentro de campo. Esta paragem para as seleções também vai ser muito importante para o Sporting, para poderem treinar mais e criar ainda mais essa ligação para o resto do campeonato e para aquilo que aí vem.
- Carlos Mané, terminamos como começámos. Quem gosta de futebol e de o ver jogar pode esperar vê-lo novamente nos relvados em breve?
Sim. Já faltou mais. Tenho a certeza de que aquilo que vier será bom para mim e para a minha família. O que mais quero neste momento é voltar a jogar e voltar a ser feliz. E, se for em Portugal, será com todo o prazer, com toda a ambição. Seria muito bom.
