A época marcada pela conquista do campeonato nacional e pelo regresso à Liga dos Campeões fechou com um resultado líquido negativo de 21,1 milhões de euros, cenário explicado pela participação na Liga Europa e pela opção estratégica de manter as principais figuras da equipa, abdicação que travou os encaixes com transferências.
Recorde-se que, em 2024/25, os dragões apresentaream o melhor resultado de sempre, um pouco acima dos 39 milhões de euros.
A apresentação dos resultados está agendada para sexta-feira de manhã.
Opção desportiva travou vendas, mas fez disparar valor do plantel
Durante o exercício de 2025/26, a SAD portista realizou um investimento de cerca de 120 milhões de euros em aquisições de passes - dos quais 110 milhões no mercado de verão, a maior verba de sempre aplicada numa única janela de transferências pelo clube.
Ao optar por não vender nenhum dos jogadores mais utilizados da época transata (2024/25), as receitas com cedências de passes fixaram-se nos 56 milhões de euros, valor abaixo da média dos últimos anos. Como contrapartida, o valor de mercado do plantel atingiu o máximo histórico de 471 milhões de euros (face aos 392M€ de 2025), tornando-se o mais valioso da Liga Portugal.
Redução da dívida líquida e cumprimento do Fair Play Financeiro
Apesar do prejuízo consolidado de 21,1 milhões de euros (-26,3 milhões de euros atribuíveis aos detentores de capital da empresa-mãe), o FC Porto destaca que, no acumulado das duas últimas épocas (2024/25 e 2025/26), o resultado líquido mantém-se positivo em 12,5 milhões de euros, alcançado sem qualquer presença na fase de grupos da Liga dos Campeões.
No plano financeiro, a SAD reduziu a dívida financeira líquida em 29 milhões de euros, reestruturando o passivo com prazos de maturidade mais longos e taxas de juro inferiores. A administração confirmou ainda o cumprimento integral das regras de sustentabilidade financeira da UEFA.
Recordes na bilhética, merchandising e número de sócios
As receitas operacionais (excluindo passes) subiram para os 150,3 milhões de euros, com registos históricos em várias áreas de negócio:
Bilhética: Cresceu 33% para o valor recorde de 18,1 milhões de euros, alavancada pela venda total dos 31.665 Lugares Anuais e por uma taxa média de ocupação do Estádio do Dragão de 91% na Liga.
Merchandising: Atingiu o máximo de sempre de 14,5 milhões de euros (+31%).
Corporate Hospitality: Gerou 11,5 milhões de euros.
Massa associativa: Atingiu o pico histórico de 180.470 sócios.
Nas operações extraordinárias, o clube cumpriu o earn-out de 15 milhões de euros referente ao EBITDA de Bilhética na alienação de 30% da Porto StadCo à Ithaka (completando o encaixe global de 80M€) e vendeu a subsidiária Porto Seguro à MDS, gerando uma mais-valia de 9,2 milhões de euros.
Heptacampeonato da formação e subida no futebol feminino
No plano desportivo, o exercício ficou ainda marcado por um feito inédito no futebol de formação: a conquista dos títulos nacionais de sub-19, sub-17 e sub-15, completando o pleno de títulos no futebol masculino em todos os escalões juntamente com a equipa principal. No futebol feminino, a equipa principal venceu a segunda divisão, garantiu a subida ao escalão principal e alcançou a final da Taça de Portugal.
