Verdy Beleza 0-1 Naegohyang
A capitã, Kim Kyong Yong, eleita a melhor jogadora do torneio, marcou pouco antes do intervalo o único golo da final disputada no estádio de Suwon.
Este triunfo garante-lhes a qualificação para a próxima Taça Feminina dos Campeões organizada pela FIFA, que reúne as campeãs dos seis continentes e cujo torneio final será realizado em Miami, na Florida.
As equipas femininas de futebol são um dos principais trunfos desportivos da Coreia do Norte, um Estado isolado diplomaticamente e economicamente pobre (a Coreia do Norte ocupa a 11.ª posição no ranking mundial das melhores selecções femininas da FIFA, enquanto os homens estão numa distante 118.ª posição).
Após a conquista do título, as norte-coreanas exibiram a sua bandeira nacional, um gesto durante muito tempo proibido na Coreia do Sul ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.
O treinador do Naegohyang FC, Ri Yu Il, expressou a sua gratidão a Kim Jong Un, agradecendo ao líder norte-coreano pelo "afeto caloroso, atenção e confiança" que lhes demonstrou.
"Neste dia, ao vivermos um momento histórico ao tornarmo-nos a melhor equipa da Ásia, as emoções e a paixão que nos movem são simplesmente indescritíveis", acrescentou.
O treinador e a sua capitã abandonaram depois a sala de imprensa, quando um jornalista sul-coreano lhes colocou uma questão referindo-se à Coreia do Norte como "parte Norte" - quando a designação oficial do país é República Popular Democrática da Coreia. Na ronda anterior, as norte-coreanas tinham eliminado as anfitriãs do Suwon FC por 2-1 no mesmo estádio.
Esta meia-final assinalou a primeira deslocação de uma equipa da Coreia do Norte ao Sul desde 2018. Cerca de 7.000 bilhetes foram vendidos para a partida da Liga dos Campeões Asiática feminina.
A final, no mesmo estádio, foi disputada perante 2.670 espectadores.
Fundado em 2012 e sediado em Pyongyang, o Naegohyang FC ("A minha cidade natal" em coreano) tem sido alvo de grande cobertura mediática e de forte entusiasmo desde a sua chegada à Coreia do Sul no último fim de semana.
"Durante muito tempo fomos os vizinhos mais próximos, mas também os mais hostis uns para com os outros. Espero que estes acontecimentos futebolísticos possam ajudar a mudar isso, mesmo que possa parecer demasiado idealista", afirmou à AFP Cheong Wook-sik, diretor da Peace Network, uma ONG pacifista sul-coreana.
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra desde o conflito de 1950-1953, que terminou com um armistício e não com um tratado de paz.
