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Um ataque dominante e destemido vai medir forças com uma defesa afiada e sufocante. O confronto entre os New England Patriots e os Seattle Seahawks vai pôr à prova o melhor do melhor em ambos os lados do campo.
Esta época, os Patriots atormentaram os adversários com esquemas ofensivos brilhantes e uma execução praticamente imparável. Por sua vez, os Seahawks frustraram ataques com uma defesa sufocante, tornando a progressão no campo numa tarefa quase impossível.
Ambas as equipas terminaram a fase regular com registos idênticos: 14-3. Surpreendentemente, cada uma conseguiu mais vitórias fora de casa do que no seu próprio estádio. Seattle somou 6-2 no Lumen Field, mas registou uns impressionantes 8-1 fora de portas.
Já New England sofreu todas as suas três derrotas em casa e manteve-se invicta fora. É inegável que ambas as equipas se sentem confortáveis a jogar em ambientes adversos.
O jogo do Super Bowl disputa-se no Levi’s Stadium, casa dos San Francisco 49ers. Os Seahawks vão ter a oportunidade de redenção e de fechar o ciclo. Seattle iniciou a temporada com uma derrota frente aos 49ers no seu estádio.
Foi assim que tudo começou. Agora, os Seahawks podem ter o seu momento de vingança. A questão é simples, mas de enorme importância: conseguirá a defesa imponente de Seattle resistir ao ataque incansável de New England?
Seattle alcançou um raro triplo defensivo esta época. Em praticamente todos os principais indicadores, os Seahawks apresentaram a melhor defesa da Liga. Concederam apenas 292 pontos na fase regular — o menor registo da NFL — uma média de apenas 17,2 pontos por jogo.
Também lideraram a Liga em Estimated Points Added (EPA) concedidos. O EPA é uma estatística avançada que avalia cada jogada individualmente, medindo quanto aumenta ou diminui os pontos esperados de uma equipa. Liderar a NFL em EPA defensivo significa executar jogadas defensivas de alto nível de forma consistente, jogada após jogada.
O último indicador que Seattle dominou este ano foi o defence-adjusted value over average (DVOA). Outra categoria complexa que os adeptos não precisam de se preocupar — mas que comprova o domínio defensivo dos Seahawks. O DVOA mede a eficácia de uma equipa em cada jogada, em relação à média da Liga, ajustando para a situação e o adversário.
Mais uma vez, Seattle ficou isolado no topo. Concedeu também o segundo menor número de jardas de corrida na Liga. Os campeões da NFC têm uma defesa de elite, isso não há dúvidas.
A defesa dos Seahawks não produziu apenas resultados — produziu momentos de destaque. Choques intensos, marcação cerrada e paragens oportunas tornaram-se rotina semanal.
Agora, há um senão. O calendário de Seattle não incluiu equipas que se destacassem propriamente no ataque. No ranking ofensivo total, os Titans ocupam a penúltima posição da Liga. Nova Orleães marcou em média 18 pontos por jogo — uma das seis equipas que esta época não ultrapassaram os 20 pontos por partida em média.
Vários adversários ficaram perto do fundo da Liga em termos de pontuação, incluindo Pittsburgh e Carolina. Outros — Tampa Bay, Arizona, Houston, Washington e Atlanta — ficaram claramente na metade inferior em termos ofensivos.
Seattle defrontou o melhor ataque da Liga, os Los Angeles Rams, por três vezes. Nesses jogos, os Rams marcaram 37, 27 e 19 pontos — números que ultrapassaram a média de pontos concedidos por Seattle durante a época. Ainda assim, seria um erro sugerir que os Seahawks só conseguem dominar ataques mais fracos.
Conseguiram limitar o ataque equilibrado dos Jaguars a apenas 12 pontos, e anularam por completo São Francisco, uma equipa que marcou em média 25,7 pontos por jogo, mantendo os 49ers em 13, 3 e 6 pontos nos três confrontos.
Mas apesar de uma época defensiva excecional, Seattle vai enfrentar o maior desafio até agora. Os Patriots apresentam um dos ataques mais elétricos e dinâmicos do futebol americano, liderados pelo candidato a MVP Drake Maye.
New England ocupa o terceiro lugar em registo de golos, segundo em pontos por jogo e segundo em jardas de corrida. Liderou também a Liga em percentagem de passes completos, com uns impressionantes 71,9 por cento.
Maye tem estado a lançar a bola de forma notável, mas é também a sua velocidade de topo que deixa os adversários sem reação. Nenhum quarterback correu mais do que Maye este ano. E a jovem estrela acredita que os Patriots ainda não atingiram o seu máximo.
“Acho que ainda não jogámos o nosso melhor futebol nestes play-offs, e estou ansioso por ver isso e, espero, que aconteça no Super Bowl”, afirmou Maye. “Isso seria incrível”.
Maye tem jogado sem medo. Não foge dos momentos de pressão, nem hesita em assumir a responsabilidade. Com a sua capacidade de leitura de jogo, destaca-se a tomar decisões que levam a desfechos imprevisíveis. Supera as estratégias defensivas.
Será que a franquia lendária tem um dos melhores ataques desta época? Sem dúvida. Mas, tal como os Seahawks, os Patriots beneficiaram de um calendário favorável.
Os Patriots defrontaram apenas duas equipas de play-offs na fase regular — os Bills e os Steelers — e muitos dos seus adversários ficaram na metade inferior em termos defensivos. Cincinnati, Pittsburgh e os Jets terminaram entre as dez piores defesas da Liga.
Ainda assim, New England provou que consegue triunfar frente à elite. Na Ronda Divisional, os Patriots enfrentaram Houston, uma defesa com números muito semelhantes aos de Seattle. Apesar da defesa contra o passe de Houston ser a melhor da Liga e de conceder o segundo menor número de pontos por jogo, New England encontrou uma solução.
No domingo, o maior ponto forte de cada equipa vai ser posto à prova. Conseguirá Drake Maye superar a linha defensiva sufocante? Ou será a defesa, mais uma vez, a garantir o título? O mundo já teve um vislumbre deste cenário.
As duas equipas encontraram-se no Super Bowl em 2015. Seattle entrou em campo com a defesa mais bem classificada, enquanto New England era liderada por Tom Brady. Dois opostos de elite tentavam superar-se mutuamente.
Com um minuto para o fim do campeonato, Seattle estava a perder por quatro pontos. Mas avançou até à linha de cinco jardas dos Patriots e teve quatro oportunidades para recuperar a liderança e vencer o jogo.
Na jogada seguinte, Marshawn Lynch, provavelmente um dos melhores running backs da história da NFL, conquistou quatro jardas. Os Seahawks ficaram a uma jarda do título. A um passo de celebrar cobertos de confetis. De bater os Patriots.
Em vez disso, todos assistiram a uma reviravolta inesperada. O mais óbvio seria uma jogada de corrida, mas os Seahawks decidiram passar a bola. Pensaram que estavam a ser imprevisíveis — a fazer algo que a defesa não esperava.
Mas o cornerback dos Patriots, Malcolm Butler, também pensou fora da caixa. No quarto down, com 29 segundos para o fim, Butler intercetou o passe de Russell Wilson destinado à end zone. A interceção selou a vitória de New England, enquanto a leitura ficou para a história como uma das melhores jogadas da NFL.
“Na verdade, não consegui sentir nada porque aconteceu tão rápido, mas nunca tinha visto um grupo de homens adultos chorar assim depois de apanhar aquela bola”, disse Butler. “Todos saltaram para cima de mim, estavam a chorar e a dizer: ‘Não acredito que conseguiste’".
Há 11 anos, foi inesperadamente a defesa dos Patriots que garantiu o título. Em 2026, os pontos fortes de cada equipa mantêm-se. Mas desta vez, os Seahawks procuram um desfecho diferente. Seattle quer redenção. New England quer repetir. Dois opostos em confronto.
